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Infarmed no Porto “não tem particular novidade” e já estava decidido há muito com Rui Moreira, diz Costa

MIGUEL A. LOPES / LUSA

Primeiro-ministro salienta que a mudança da sede do organismo para o Porto fazia parte da candidatura da cidade à Agência Europeia do Medicamento. Reconhece que a forma como o Governo comunicou a decisão não terá sido a melhor e, confrontado com o desagrado e surpresa dos funcionários, garante que os direitos destes não serão lesados

A transferência do Infarmed para o Porto estava integrada na candidatura da cidade para sediar a Agência Europeia do Medicamento (EMA) e já estava decidida e negociada há algum tempo com Rui Moreira, revela o primeiro-ministro António Costa, em entrevista à Antena 1, esta sexta-feira.

De acordo com o primeiro-ministro, a mudança do Infarmed para o Porto “seria uma sequência natural da vitória da EMA, porque um dos critérios importantes [para a escolha] era a proximidade entre a agência europeia e as agências nacionais”. Por isso mesmo, o anúncio feito pelo Governo esta semana “não tem particular novidade”, afirma.

Na entrevista, Costa reconhece também que a forma como o Governo comunicou a decisão não terá sido a melhor. "Porventura, a comunicação poderia ter sido de outra forma, mas a questão de fundo é: o Porto deve ou não ser o local onde deve ser instalado o Infarmed? Deve ser, eu acho que essa é opção de fundo", afirma.

Confrontado com o desagrado e surpresa dos funcionários do Infarmed, o primeiro-ministro garante que os direitos dos trabalhadores não serão lesados. “Pondo-me na posição de um funcionário do Infarmed, encararia com tranquilidade [esta mudança], quer porque a lei me protege relativamente aos meus direitos quanto à mobilidade, quer porque sei que tenho seguramente uma administração e um Governo que saberá dialogar para encontrar as melhores soluções, para que o Porto possa ter o Infarmed e eu possa ter boas condições para no Infarmed, ou noutro serviço, poder continuar a desempenhar a minha atividade”, explica.

Ataque a Passos Coelho e os professores

A reposição dos salários e descongelamento das carreiras que o Governo fez nos últimos dois anos faz parte de uma visão futuro para o país, garante ainda António Costa na mesma entrevista, contradizendo, mais uma vez, a possível chegada do “diabo” antevista por Pedro Passos Coelho.

“A melhor garantia de que aquilo que conquistámos neste dois anos é irreversível é que vamos continuar continuar a ter uma gestão orçamental responsável como temos tido. Não nos basta que o diabo não tenha vindo, é preciso garantir que o diabo não vai vir mesmo no futuro. Para garantir que o diabo não vem no futuro, nós temos de dar cada passo como demos até agora: com segurança e confiança de que não estamos a dar hoje algo que alguém vai ter de tirar amanhã”, afirma.

Ainda na mesma conversa, António Costa diz esperar que, com a eleição de um novo líder para o PSD, surjam mais oportunidades de aproximação daquele partido ao Governo.