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Ricardo Salgado concedeu créditos de 463 milhões de euros sem garantias a empresa da família Espírito Santo

JOS\303\211 SENA GOUL\303\203O

Segundo a Comissão Liquidatária do BES, Ricardo Salgado e Amílcar Morais Pires teriam conhecimento das dificuldades financeiras do GES desde 2013

Quando faltava menos de um mês para sair da presidência do BES, Ricardo Salgado permitiu que o banco concedesse créditos de 463 milhões de euros à Espírito Santo Financière (ESFIL), sociedade do Grupo Espírito Santo (GES), sem quaisquer garantias que salvaguardassem o risco do BES, avança o “Correio da Manhã” esta sexta-feira. Estes valores, até hoje, não foram recuperados.

O último crédito do BES à ESFIL ocorreu a 14 de junho de 2014, dia em que Ricardo Salgado foi afastado da liderança do BES. Os créditos à ESFIL são revelados no parecer da Comissão Liquidatária do BES que propõe a insolvência culposa do BES, a que o matutino teve acesso.

“O valor total da dívida da ESFIL perante o BES, decorrente das operações de MMI [Mercado Monetário Interbancário] em euros realizadas entre 26/06/2014 e 18/07/2014, ascendeu a 463 milhões de euros”, lê-se no parecer da Comissão Liquidatária do BES.

Entre 26 de junho e 18 de julho de julho, o BES continuou a conceder novos créditos a essa sociedade do GES. A 7 de julho, o BES concedeu um crédito de 100 milhões de euros à ESFIL, que vencia a 14 desse mês mas não foi pago; neste dia, o BES concedeu dois novos créditos à ESFIL, um de 100 milhões de euros e outro de 115 milhões de euros, que também não foram pagos ao BES.

No entender da Comissão Liquidatária, o aumento do financiamento às empresas da ESFG, em particular à ESFIL, terá sido promovido por Ricardo Salgado e Amílcar Morais Pires que, “através de Isabel Almeida [ex-diretora financeira do BES], terão proposto aumentar os limites da exposição do BES à ESFIL, inclusivamente sem contemplar a constituição de garantias que salvaguardassem a exposição creditícia do BES”.