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Revista de imprensa

Visitas íntimas nas prisões potenciam bom comportamento

João Lima

Entre os aspetos positivos do regime que a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais quer alargar a todas as prisões, está também a possibilidade de manter a estabilidade nas relações, referem as reclusas entrevistadas no âmbito de uma tese de mestrado

As visitas íntimas na prisão são um instrumento de estabilidade conjugal mas também de gestão penitenciária”, conclui Rita Pinto, autora da tese de mestrado “A influência das visitas íntimas na vivência da reclusão feminina". Com base nas entrevistas realizadas a 40 reclusas, a estudante do Porto constatou a importância destas visitas como motivação para manter um bom comportamento, sendo o regime considerado positivo mesmo pelas mulheres que dele não beneficiam, escreve o “Público” na sua edição desta quinta-feira.

A pesquisa foi realizada no único estabelecimento prisional feminino que permite as visitas íntimas, o de Santa Cruz do Bispo, em Matosinhos. Das 40 reclusas entrevistadas por Rita Pinto, todas com idades entre os 21 e os 54 anos, 20 tinham visitas e as outras 20 não.

“Se não houvesse visitas íntimas, havia muita porrada, muita porrada”, afirmou uma das mulheres, admitindo uma outra que o medo de perder o acesso às visitas, como eventual castigo por mau comportamento, leva a que cada reclusa “pense duas vezes” antes de agir.

A possibilidade de receber uma visita com a duração de três horas, ao invés de apenas uma, como é habitual, é muitas vezes valorizada, nem tanto como encontro sexual mas por permitir que se fale “mais à vontade”, refere a tese. Há reclusas que as veem como uma forma de manter a estabilidade numa relação e “evitar eventuais traições”.

Numa altura em que a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais quer alargar este regime a todas as prisões – depois de este ter sido experimentado em Portugal, pela primeira vez, em 1998 – o trabalho apresentado em 2015 na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, deixa pistas quanto aos aspetos mais desagradáveis referidos pelas reclusas. São eles o embaraço e constrangimento causados pelas obrigatoriedade das revistas integrais antes e depois destas visitas, e o facto de não haver reserva quanto ao nome das reclusas que as vão receber – as entrevistadas mencionaram a afixação das listas na biblioteca da prisão.