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Estaleiros de Viana vendem aço de navios de Hugo Chávez que nunca chegaram a ser feitos

MIGUEL RIOPA/GETTY

O valor pago pelo aço será utilizado para restituir o investimento feito pela petrolífera venezuelana

O falecido presidente da Venezuela Hugo Chávez e José Sócrates, na época primeiro-ministro, firmaram, em 2010, um negócio que nunca se chegou a concretizar: um contrato no valor de 128 milhões de euros para a construção de dois asfalteiros para a empresa Petróleos da Venezuela (PDVSA), nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC). A entrega dos navios estava prevista para fevereiro de 2014, mas a construção destes nunca chegou a avançar, apesar de os ENVC terem chegado a comprar a matéria-prima.

Passados sete anos, o Governo decidiu, tendo em conta a situação política presente da Venezuela, rasgar o contrato e vender a matéria-prima, avança o “Jornal de Negócios” esta quarta-feira. A empresa estatal está, neste momento, a vender 15.700 toneladas de aço referentes a esta situação, através de um concurso público.

Mas há um problema: de acordo com o matutino, após o fecho do negócio, a sociedade ENVC recebeu da PDVSA a primeira tranche do contrato – 10% do total, ou seja, 12,8 milhões de euros, que utilizou no pagamento de salários em 2011.

Questionado pelo “Negócios” sobre o concurso público em questão, o Ministério da Defesa, tutelado por Azeredo Lopes, defendeu que “a ENVC é uma empresa que se encontra em liquidação e, como tal, compete aos seus liquidatários, designadamente, ultimar os negócios pendentes e reduzir a dinheiro o património residual”.

Por outras palavras: o valor pago pelo aço será utilizado para restituir o investimento feito pela petrolífera venezuelana.

Segundo o “Negócios”, as 15.700 toneladas de aço adquiridas em 2013 encontram-se parqueadas, ao ar livre, nas instalações dos ENVC, desde que foram desembarcadas, e estão divididas por 31 lotes e têm um preço global mínimo de 8,763 milhões de euros.