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Teixeira dos Santos: “O Banco de Portugal é um bode expiatório fácil”

Teixeira dos Santos, presidente do banco BIC

© Hugo Correia / Reuters

Teixeira dos Santos disse não esperar quaisquer abalos no EuroBic com a sucessão de José Eduardo dos Santos

Bater e passar culpas para o Banco de Portugal(BdP), tal como o Governo e os partidos à esquerda do PS fizeram muitas vezes nos últimos dois anos, é fácil, é a “espuma da política”, diz Teixeira dos Santos, presidente do banco EuroBic (ex-BIC), em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta sexta-feira.

“O BdP, perante os episódios que marcaram o sistema financeiro, foi chamado a explicar muita coisa. Como instituição tem de ser capaz de conviver com esta nova realidade e saber explicar devidamente o seu papel, o que fez e porque tomou certo tipo de decisões. O resto diria que é muito aquilo a que chamaria a espuma da política, que não valorizo muito. Do ponto de vista político, é sempre mais fácil encontrar um bode expiatório para o que aconteceu. Perante os episódios que tivemos, o BdP é um bode de expiatório fácil”, apontou o banqueiro.

A instituição financeira liderada por Teixeira dos Santos, o EuroBic, é um banco controlado por Isabel dos Santos, a empresária angolana filha de José Eduardo dos Santos. Ainda assim, este garante que não sente que trabalha para a filha do presidente angolano. “Trabalho para um banco que, para além dos accionistas, tem trabalhadores e clientes”, disse.

Ainda na mesma entrevista, antevendo as eleições em Angola, que vão levar à substituição de José Eduardo dos Santos, Teixeira dos Santos disse não esperar quaisquer abalos no EuroBic com a sucessão.

“Não vejo quaisquer implicações daquilo que seja a vida política de Angola sobre o desenrolar da actividade do EuroBic em Portugal. O único aspecto que será relevante não é propriamente o aspecto político, mas a situação económica e financeira de Angola. Essa sim é importante para a economia portuguesa e para qualquer banco que actue no mercado português onde temos muitas empresas que têm relações e negócios em Angola e que são afectadas, podendo afectar o negócio que os bancos podem fazer com elas”, disse.