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Economista acusado de manipular dívida pública processa Estado português

ESPECIALISTA OU MANIPULADOR? Peter Boone, o economista suspeito de lucrar ao escrever num blogue no “New York Times” sobre a dívida portuguesa em 2010

d.r.

A ação judicial ainda não tem um valor, mas Peter Boone revelou que irá doar o valor acima dos custos legais a “causas de caridade”

Peter Boone, economista com uma coluna de opinião no jornal “New York Times”, pretende processar o Estado português pela forma como foi acusado, em 2010, de manipular o mercado de dívida portuguesa, avança o “Jornal de Negócios” esta segunda-feira.

“O Dr. Boone prepara-se agora para processar o Estado Português por investigação grosseiramente incompetente e negligente conduzida pela CMVM e pelo Ministério Público”, lê-se num comunicado emitido pela defesa do economista. A ação judicial ainda não tem um valor, mas Peter Boone disse ao “Negócios” que irá doar o valor acima dos custos legais a “causas de caridade”.

Há sete anos, Boone, juntamente com Simon Johnson, escreveu no blogue Economix do “New York Times”, em abril de 2010, que após a Grécia a solicitar um resgate financeiro, seguir-se-ia Portugal. Na época, o ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, enviou uma nota às redações, referindo-se a “disparates sem fundamentação sólida, reveladores de ignorância”. (Passado um ano, Portugal acabou mesmo por solicitar assistência financeira internacional.)

Como reação às previsões de Boone, a CMVM abriu uma investigação por considerar que o artigo poderia ter como objetivo desvalorizar o preço das obrigações portuguesas. Peter Boone estava ligado à Salute Capital Management, empresa que prestava serviços de aconselhamento de investimento em dívida pública portuguesa.

O Ministério Público chegou a requerer o julgamento de Boone pela prática do crime de manipulação de mercado. Mas o economista contestou esta decisão, datada de 2015, e pediu a abertura da instrução do caso, para ir contra a acusação e evitar o julgamento.

Já em outubro de 2016, o Tribunal de Instrução Criminal decidiu que não haveria pronúncia de Peter Boone. O Ministério Público recorreu, mas o Tribunal da Relação de Lisboa considerou que não havia razão para levá-lo a julgamento.