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Finanças travam há sete meses verba para obras no Arsenal do Alfeite

Marcos Borga

Sem o alargamento da doca, fica comprometido o negócio da reparação de submarinos

O Arsenal do Alfeite conta desde janeiro com seis milhões para alargar a doca do estaleiro, mas despesa não tem luz verde do ministério Mário Centeno, diz a edição deste sábado do Diário de Notícias (DN). A obra é essencial para abrir ao Alfeite o mercado internacional de reparação de submarinos.

É um novo exemplo de cativação de verbas. O Arsenal do Alfeite tem seis milhões de euros nos cofres para alargar a doca e para iniciar a reparação de submarinos. Mas, o concurso internacional não foi lançado porque, segundo o DN, continua a faltar a autorização das Finanças para usar o dinheiro. O calendário da Marinha aponta para a conclusão das obras em setembro de 2018.

A administração do Alfeite escusou-se a comentar o caso, mas diferentes fontes confirmaram ao DN o silêncio do Ministério das Finanças e a tensão crescente dentro da empresa. "O caso tem de ser resolvido nos próximos dias", frisou uma das fontes. "Já estamos a queimar os prazos todos", para poder cumprir o contrato de reparação do segundo submarino da Marinha, sob responsabilidade do fabricante alemão e a iniciar dentro de 14 meses.

Atualmente com um navio de patrulha oceânica no cais , a carteira de encomendas inclui a modernização das fragatas da Marinha, a construção de lanchas salva-vidas e a reparação dos submarinos Tridente. No caso de se concluírem com sucesso as negociações com os estaleiros alemães Thyssen Krupp Marine Systems, a colaboração do Alfeite pode alargar-se aos submergíveis ali construídos. para países terceiros. Mas, para isso é preciso um cais de 220 metros, que terá comportas para dividir o espaço interior em função das necessidades.

Projeto essencial

A empreitada tem de ser anunciada no Jornal Oficial das Comunidades, o concurso internacional decorre por 60 dias e pode sempre derrapar se surgirem recursos de candidatos. Seguem-se as obras, em que o intervalo de tempo a definir deverá variar entre os nove e os 12 meses. Segundo o DN, fica em causa um projeto qualificado pelo Alfeite como essencial para a sua recuperação e internacionalização - e não é por falta de dinheiro".

Na visita realizada feita há dias ao Arsenal, o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa destacou a "viragem histórica" em curso na empresa e afirmou que "há futuro" para os estaleiros. O Arsenal serve de apoio à Marinha na manutenção, reparação de navios militares.

Após anos de grandes dificuldades financeiras e sem perspetivas de negócio, o Alfeite tornou-se uma sociedade anónima de capitais públicos e começou a atrair clientes estrangeiros. É este novo posicionamento que levou Marcelo Sousa a deixar uma "mensagem de confiança e de esperança" no futro do Alfeite.

"Há uma missão, há uma estratégia, uma equipa, um relacionamento natural com a Armada, abertura ao mundo" para se conseguir "aproveitar o melhor dos mais antigos com o melhor dos mais novos sem conflito de gerações", referiu Marcelo.