Siga-nos

Perfil

Expresso

Revista de imprensa

Quem é que foi ao púlpito falar? Discurso de Passos Coelho, palavras de Poiares Maduro

Luís Barra

Poiares Maduro revelou trocar “muitas impressões” com Passos e que este lhe perguntou, antes do debate do Estado da Nação, se poderia usar parte do seu texto publicado na internet

Pedro Passos Coelho subiu ao púlpito do Parlamento, na quarta-feira à tarde, durante o debate do Estado da Nação, apanhando o Governo numa das suas fases mais fragilizadas, depois do incêndio de Pedrógão Grande e o assalto em Tancos. Por isso jogou ao ataque, com palavras duras e levantando questões para António Costa responder.

Só que nem todas as questões levantadas foram, sabe-se agora, pensadas por ele. Muitas eram de Poiares Maduro, ex-ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional.

Maduro, antecipando o debate do Estado da Nação, publicou na terça-feira à noite um texto no Facebook em que falava sobre vários temas da atualidade.

Comparando o discurso de Passos e o texto de Poiares Maduro há semelhanças evidentes, blocos de texto quase iguais. Em nenhum momento o ex-primeiro-ministro referiu Poiares Maduro como um dos autores de base do seu discurso.

Por exemplo, Passos disse logo na abertura do seu discurso: “Um primeiro-ministro diz ao país que aceitou o pedido de demissão de secretários de Estado para estes poderem solicitar ser constituídos arguidos e depois descobre-se que, afinal, resignaram porque já tinham percebido que iriam, de qualquer modo, ser constituídos arguidos.”

Esta era a versão original de Poiares Maduro: “Um PM diz ao país que aceitou o pedido de demissão de Secretários de Estado para estes poderem solicitar ser constituídos arguidos e defenderem a sua honra e depois descobre-se que afinal resignaram porque já tinham sido constituídos arguidos.”

Fonte do PSD disse ao “Jornal de Notícias”, falando a propósito desta situação, que “é naturalíssimo que o líder da oposição receba contributos de pessoas que lhe são próximas”.

Poiares Maduro, por sua vez, disse trocar “muitas impressões” com Passos e que este lhe perguntou, antes do debate do Estado da Nação, se poderia usar parte do seu texto no discurso.