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Governo de Passos ponderou “resgatar” o SIRESP

Foto Marcos Borga

O resultado das negociações entre o Estado o SIRESP ficaram aquém das expectativas: foi conseguida uma redução de custos operacionais de 9,3%. Se fosse o Estado a gerir a empresa, estes custos baixariam 30%

O Governo de Pedro Passos Coelho ponderou “resgatar” o SIRESP para o Estado em 2015, avança o “Público” esta terça-feira. A palavra nacionalizar não aparece no relatório da renegociação do contrato do SIRESP com o Estado, a que o matutino teve acesso, mas era isso que estaria a ser ponderado numa versão “light”. Um “cenário equivalente ao comummente designado resgate”, lê-se.

Num cenário de “resgate da concessão”, o Estado “assumiria o pacote de financiamento” bem como a “operação da concessão”, tendo de pagar “em contrapartida uma indemnização aos accionistas que reflectisse os dividendos que estes esperavam obter inicialmente”.

De acordo com fonte do Governo de Passos, a possibilidade de uma nacionalização era um dos trunfos negociais que mais poder dava ao Estado para sentar os privados à mesa das negociações.

“Com efeito, depois de avaliados os preços de mercado mais actuais, e realizada uma comparação da rede SIRESP com redes de características semelhantes a nível internacional, a Comissão de Negociação concluiu sobre a existência de um potencial para redução global dos custos operacionais da operadora na ordem dos 30%”, lê-se no relatório. Por outras palavras: se fosse o Estado a gerir a operação, os custos poderiam baixar cerca de um terço.

O resultado das negociações entre o Estado o SIRESP, contudo, ficaram aquém das expectativas: foi conseguida uma redução de custos operacionais de 9,3%. De acordo com as contas dos negociadores, o Estado poupou nesta alínea cerca de 15 milhões de euros, mas poderia ter poupado cerca de 50 milhões, se tivesse avançado para o “resgate”.

O resgate não acabou por avançar devido a dois motivos, aponta o relatório. Primeiro, a confusão de interesses entre os accionistas privados do SIRESP, alguns dos quais dos “são também fornecedores ou prestadores de serviços” da mesma empresa. Segundo, porque o Estado não queria por em cima da mesa um cenário de nacionalização dura.