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Pedro Nuno Santos: As demissões não resolvem os problemas. Temos de mudar o chip

Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos.

“As demissões têm muitas vezes a consequência perversa de criar a ilusão de que o problema é resolvido com a demissão”, disse o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares em entrevista ao “Público” e à Renascença, assumindo ainda que “objetivamente” o Governo atravessa um momento difícil

Demitir ministros – seja Azeredo Lopes ou Constança Urbano de Sousa – não é a solução para todos os problemas que assolam o país ou a resposta apropriada a este momento de crise, defendeu Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, em entrevista ao “Público” e à “Renascença” esta quinta-feira.

“Chegámos a uma altura em que todos nós, políticos e já agora comunicação social, temos que mudar o chip. Porque a primeira resposta que temos quando há um problema, quando há uma crise, a resposta que (por falta de criatividade ou até por alguma preguiça intelectual e política) é a exigência de uma demissão. Como se a demissão resolvesse um problema!”, disse Pedro Nuno Santos.

Segundo o socialista, “as demissões, quando são pedidas, têm muitas vezes consequências perversas, que é criar a ilusão de que o problema está resolvido com a demissão”.

O Governo vive o seu momento mais difícil, quando nada o fazia prever. Dois incidentes – o incêndio de Pedrógão Grande e o roubo de material de guerra em Tancos – vieram abalar o que se pensava estável. “Objetivamente é [o momento mais difícil do Governo]. Desde logo porque tivemos há duas semanas e meia uma tragédia onde morreram 64 pessoas. E isso é uma tragédia que nos atinge a todos - e ao Governo também, em particular”, assumiu o secretário de Estado.

Ainda assim, para Pedro Nuno Santos, não faz sentido estar a comparar os dois incidentes. “Estamos a pegar mal quando estamos a comparar estes dois temas, que aconteceram com grande proximidade - o que nos leva a falar deles os dois nas mesmas entrevistas e debates. Mas são dois casos diferentes, num caso houve 64 mortes. E isso tem um peso para nós tremendo, como é óbvio”, disse.

Orçamento de Estado para 2018

O Governo queria antecipar a discussão sobre o Orçamento de Estado com os seus parceiros políticos, mas a “realidade mudou”, assume Pedro Nuno Santos. O incêndio de Pedrógão Grande e o assalto de Tancos vieram roubar tempo e foco. Ainda assim, diz, nada está em causa para o próximo ano. Nada “leva a crer” que o BE e o PCP vão deixar de legitimar o Governo de António Costa por causa destas situações.

“Nós queríamos antecipar as negociações do Orçamento porque havia dossiers pesados - como o aumento de progressividade do IRS e descongelamento das carreiras - que exigem muito trabalho nas Finanças. Começamos esse trabalho antes dos incêndios. Há um trabalho já mais profundo sobre o IRS; sobre o descongelamento de carreiras havia um trabalho para ser feito do nosso lado, que ainda está a ser feito. É óbvio que as energias de todos, no Governo e também na oposição, a partir do momento da tragédia de Pedrógão Grande concentram-se aí. Portanto a decisão foi: vamos parar, depois retomamos. Não vai prejudicar as negociações do OE, na medida em que serão feitas no timing que foram sempre. Havia uma diferença, estávamos a tentar antecipar, mas a realidade altera-se e temos que nos ajustar a ela”, disse.

As férias de António Costa

“Num país já com muitos anos de democracia, temos mecanismos previstos que permitem que também os membros e os chefes de Governo possam ter férias. É preciso recordar que as férias estavam marcadas há muito tempo e que foram marcadas para o início deste mês para o sr. primeiro-ministro estar mais livre nos próximos dois meses. Obviamente que nos organizámos para que se consiga compensar o período de descanso a que o primeiro-ministro tem direito. A articulação continua a ser feita, o primeiro-ministro não tem deixado de acompanhar”, disse o governante.