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A “señorita Pepis” ou o exército de brincar português: o que estava escondido no título do artigo do El País que goza com Tancos

A “senhorita Pepis” é uma marca de brinquedos (e não só) para crianças lançada em 1955 e que se tornou icónica na memória de muitos espanhóis

“El ejercito de la señorita Pepis” (“o exército da senhorita Pepis”, numa tradução livre para o português): era este o título de um artigo publicado no “El País” na terça-feira que satirizava a situação do roubo de armamento em Tancos. Era o título, mas já não é.

Tal como o Expresso fez, vários meios de comunicação portugueses reparam no tom do texto, nas fortes críticas tecidas ao Governo e ao ministério da Defesa. Já esta quarta-feira de manhã, o texto do artigo continua a ser o mesmo - mas o título mudou: “El polvorín de Portugal robado: garitas vacías y soldados sin munición” (O barril de pólvora de Portugal roubado: guaritas vazias e soldados sem munição). A ironia continua lá, mas menos evidente.

O artigo em causa começa, por exemplo, por lembrar que Portugal é o terceiro país mais pacífico do mundo, para logo sublinhar que é “tão pacífico” que na semana passada “uns estranhos foram à base militar de Tancos e levaram num carro armas sem que ninguém os impedisse”. Neste momento, não se sabe as razões que terão levado o título do artigo a ser mudado… mas talvez a resposta seja evidente: era cáustico demais.

Eis o que estava nas entrelinhas do primeiro título: o exército de brincar de Portugal. A “senhorita Pepis” é uma marca de brinquedos (e não só) para crianças, que ficou conhecida por fazer trens de cozinha, maquilhagem e mais tarde passou às bonecas, lançada em 1955 e que se tornou icónica na memória de muitos espanhóis.

No youtube é possível encontrar alguns anúncios referentes a esta marca de brinquedos.

Trata-se da segunda situação constrangedora em poucas semanas a envolver meios de comunicação espanhóis e Portugal: durante os incêndios em Pedrógão Grande, uma série de artigos críticos ao Governo surgiram no diário “El Mundo” assinados sob pseudónimo, facto que só se descobriu posteriormente, e teriam intuitos políticos.