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Nuno Magalhães: “Costa tem dois ministros que já não o deviam ser. Escolheu a lealdade política em vez da segurança”

Marcos Borga

Para Nuno Magalhães, que era o secretário de Estado da Administração Interna em 2003, ano com a maior área ardida de sempre em Portugal e 21 mortos, faz sentido individualizar o que se passou no dia 17 de junho por comparação com outros anos.

Pelo menos dois ministros do atual Governo, Constança Urbano de Sousa, responsável pela Administração Interna e Azeredo Lopes, ministro da Defesa, já deviam ter sido afastados, diz Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS, em entrevista ao “Diário de Notícias” esta segunda-feira. Com a confusão do incêndio de Pedrógão, a situação nos serviços de informações, com o caso de Tancos, Portugal “tem um sério problema de segurança e credibilidade externa”, aponta.

“O primeiro-ministro tem dois ministros que já não o deviam ser nesta área e que os mantém. Escolheu a lealdade política em detrimento da segurança, da credibilidade do país e da confiança dos cidadãos no Estado. Passou a ser o primeiro e último responsável pelo que aconteceu e vier a acontecer”, disse o deputado do CDS.

Segundo o ex-secretário de Estado da Administração Interna de Durão Barroso, o que se passou em Pedrógão Grande foi “uma catástrofe como nunca vimos no nosso país”. Por isso, exige consequências.

“O que é que o governo faz? Faz perguntas. O governo serve para assumir a sua responsabilidade política e dar respostas. O espetáculo que nós temos visto, da ANPC acusar a GNR, a GNR à ANPC, a Secretaria-Geral do MAI à ANPC, a ANPC à Secretaria-Geral do MAI, o SIRESP a acusar todos, todos a acusarem o SIRESP. É dramático do ponto de vista da autoridade do Estado, põe em causa a própria autoridade da ministra, põe em causa a cadeia de comando e, pior, diria eu, põe em causa a confiança dos portugueses numa área muita sensível como a segurança e a capacidade de resposta para o Estado”, disse.

Para Nuno Magalhães, que era o secretário de Estado da Administração Interna em 2003, ano com a maior área ardida de sempre em Portugal e 21 mortos, faz sentido individualizar o que se passou no dia 17 de junho por comparação com outros anos.

“Todos nós devemos fazer a análise disso e ao mesmo tempo assumir as nossas responsabilidades. Agora quero dizer duas coisas. Primeiro, este incêndio não é só um incêndio florestal, é muito mais do que isso e por isso é que merece ser individualizado. Quanto aos outros, é evidente que o Parlamento já fez três livros aprovados por unanimidade sobre os incêndios, e nesse aspeto todos nós temos responsabilidades. Tenho também de reconhecer que tendo em atenção as alterações climáticas e o aquecimento global, temos assistido cada vez mais a verões mais prolongados e mais quentes”, disse.