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Manuel Pinho: “Não beneficio, nem beneficiei, de nenhuma cátedra de 3 milhões paga pela EDP”

Alberto Frias

Segundo o ex-ministro da economia, teria bastado um telefonema para a universidade de Columbia para confirmar que não há nenhuma cátedra financiada pela EDP e os seus salários desde 2010

“Não beneficio, nem beneficiei, de nenhuma cátedra de 3 milhões paga pela EDP”, escreve Manuel Pinho, ex-ministro da economia de José Sócrates, responsável pela assinatura dos contratos energéticos ao Estado (CMEC) assinados em 2007 com a EDP, num texto de opinião publicado esta sexta-feira no “Público”.

Segundo o ex-político, o seu nome foi envolvido na investigação da PJ “de forma desagradável e injusta”. “Estou totalmente disponível para esclarecer as autoridades competentes no que for necessário sobre todos estes temas e já solicitei ao 1º Ministro prestar declarações no Parlamento, se ele assim o entender”, nota logo ao início do texto.

Quanto à cátedra de três milhões de euros em Columbia, que a PJ suspeita tratar-se de um suborno, Manuel Pinho recusa, mais uma vez, essa ideia. “Teria bastado um telefonema para a universidade para confirmar, primeiro que não há nenhuma cátedra e, segundo, os meus salários desde 2010. Este boato vicioso não é de ontem e foi lançado em 2010 por alguém que certamente desconhece o que é uma cátedra e como funciona o sistema universitário americano”, explica.

De acordo com o ex-ministro, a ideia de voltar ao meio académico surgiu em setembro de 2009 num jantar em casa do Professor Joe Stiglitz - não foi uma estratégia conjunta deste com a EDP.

“Mas imaginemos que isto não é verdade e que a EDP pagou à Universidade de Columbia para esta contratar um ex-ministro sem mérito académico suficiente de um país estrangeiro. Ainda por cima com um contrato milionário. Nesse caso, a investigação deve envolver, em minha opinião, não só o Ministério Público português, como o Department of Justice nos Estados Unidos. Como se pode compreender, sou o maior interessado em que tal tenha lugar de maneira a por definitivamente fim a este boato”, aponta.

De acordo com Manuel Pinho, ele nunca foi, nem será “um político, e ter exercido um cargo político envolveu e continua a envolver custos enormes para mim e para a minha família”.