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Álvaro Santos Pereira: economia podia estar a crescer mais se houvesse solução europeia para a banca

Nuno Fox

Segundo Álvaro Santos Pereira, a OCDE está muito positiva sobre o futuro da economia portuguesa neste momento.

Apesar de Portugal não estar numa situação tão complicada como a de Itália, se a situação da banca com o crédito malparado estivesse resolvida, o país “poderia estar a crescer muito mais”, assumiu Álvaro Santos Pereira, ex-ministro da Economia e atual director na secção de estudos dos países no Departamento Económico da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), em entrevista ao “Público” esta quinta-feira.

“Tem havido uma grande inércia, em parte por causa das regras de auxílios do Estado que foram introduzidas e que fazem com que, muitas vezes, seja praticamente impossível recapitalizar os bancos. O que está em causa não é um auxílio de Estado, o que está em causa é uma questão de reestruturação do sector bancário e da economia. Enquanto estamos preocupados com questões de auxílio de Estado, o tempo está a passar e o problema está-se a agravar. Defendemos que parte das imparidades deve ser posta num veículo, mesmo que seja temporariamente absorvida por dívida pública”, explicou o economista.

Mais, frisou o político: a economia portuguesa não está a crescer (só) por mérito das reformas do Governo de António Costa. Álvaro Santos Silva aproveitou a oportunidade para puxar a brasa à sua antiga tutela: neste momento, “a OCDE não está a preconizar novas reformas no mercado de trabalho português”, isto porque “já houve uma grande reforma em 2012, que está a surtir um efeito importante ao nível da subida do emprego e descida do desemprego, com reflexo na própria actividade económica. O que é importante é manter a reforma laboral de 2012 e ajustar a parte da formação, para melhorar as qualificações dos portugueses”, explicou.

Segundo Álvaro Santos Pereira, a OCDE está muito positiva sobre o futuro da economia portuguesa neste momento. “Os números do último trimestre de 2016 e principalmente do primeiro trimestre de 2017 foram muito positivos e continuamos a pensar que pelo menos em 2017 a tendência de crescimento mais robusto vai continuar. Neste momento, como ainda não há certezas em relação ao que vai acontecer nos próximos meses, estamos a ser um pouco mais cautelosos em 2018”, disse.