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Álvaro Santos Pereira: lóbis da energia são “fortíssimos”, têm ligações ao “poder político” e tiveram “influência nefasta no país”

Nuno Fox

No anterior Governo cortaram-se 3,5 mil milhões de euros de rendas de energia, revela o ex-ministro da Economia

Portugal devia ir mais longe no corte das rendas da energia, mas também é preciso criar condições para que tal aconteça, seja através de contribuições, seja através de outros “mecanismos que possam reduzir as rendas desses sectores que foram protegidos durante demasiado tempo e que criaram lóbis fortíssimos, com ligação ao poder político, e que tiveram uma influência nefasta no nosso país”, aponta Álvaro Santos Pereira, ex-ministro da economia, em entrevista ao “Público” esta quarta-feira.

Para o social-democrata, pode cortar-se nas rendas de energia de muitas formas: “Pode ser nos CMEC [custos de manutenção do equilíbrio contratual], nas garantias de potência ou noutras formas.”

Segundo o ex-ministro da Economia, “no anterior Governo cortaram-se 3,5 mil milhões de euros de rendas de energia. Antes desse Governo ninguém tinha cortado um cêntimo. O lóbi da energia é um dos mais fortes que temos em Portugal”.

Quando saiu do Governo, Álvaro Santos Pereira diz ter escrito uma carta ao primeiro-ministro em que revelava que tinham sido identificados “mais 1500 milhões de euros de rendas da energia que era preciso cortar e eles aplicaram uma contribuição para o sector, para cortar exatamente grande parte dessas rendas”.