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Ministério Público investiga festas privadas nos Jerónimos

Claustros dos Jerónimos custam €50 mil por banquete

Alberto Frias

Isabel Almeida, diretora do Mosteiro dos Jerónimos, é uma das suspeitas na investigação

Um monumento nacional, mas que foi utilizado para festas privadas: o Mosteiro dos Jerónimos. Segundo o “Diário de Notícias” desta terça-feira, a associação sem fins lucrativos “Troca Descobertas” explorou durante vários anos alguns espaços dos Jerónimos, cobrando pelos seus serviços sem que a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) recebesse qualquer compensação.

O “DN” revela que algumas das fundadoras da associação chegaram a ter email oficial dos Jerónimos – apesar de nunca terem tido qualquer vínculo ao Estado – e publicitaram estes mesmos eventos, pelos quais cobravam, em portais públicos. Esta irregularidade (e outras) foi encontrada por uma auditoria da DGPC à gestão da diretora atual do monumento, Isabel Almeida.

Pelo que o matutino apurou, algumas das empresas que realizaram eventos nos espaços do mosteiro acabaram por pagar mais à World Monuments Fund (WMF), uma organização internacional sem fins lucrativos que se dedica à recuperação de edifícios históricos, do que à própria DGPC.

Este facto levantou suspeitas sobre Isabel Almeida – a diretora dos Jerónimos é também a vice-presidente da WMF. Até 2014, o custo da cedência de espaços em monumentos ficava ao critério do respetivo diretor. Só com a entrada em vigor do despacho 8356/2014, assinado pelo ex-secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, é que os preços passaram a estar tabelados.

Nos últimos anos, entidades como a Compagnie Financière Richemont, a Team Quatro e o Automóvel Clube de Portugal realizaram eventos nos espaços dos Jerónimos – a primeira fez um donativo de 150 mil euros e a segunda e a terceira doaram 50 mil euros à WMF. Ou seja, valores acima do próprio aluguer do espaço.

Na semana passada, o “DN” questionou o Ministério da Cultura sobre estas discrepâncias. “Numa auditoria interna da DGPC a vários museus e monumentos foram detetadas irregularidades que motivaram o envio do respetivo relatório final ao Ministério Público. Este assunto é agora da competência do Ministério Público, não sendo, portanto, oportuno o gabinete do ministro da Cultura pronunciar-se”, revela o ministério.