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Pierre Moscovici: “Se Mário Centeno se tornar presidente do Eurogrupo vai ter de assumir alguma distância da sua atual função”

Pierre Moscovici, comissão europeu para os Assuntos Económicos

FRANCOIS LENOIR/ Reuters

O lugar de presidente do Eurogrupo é uma posição de “prestígio”, lembra o comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, frisando que “a arbitragem que precisa de fazer não é necessariamente favorável ao seu próprio país”

Não se esperem facilidades ou favores. “Se um dia Mário Centeno, que eu considero muito competente, se tornar presidente do Eurogrupo, deve saber que provavelmente vai ter de assumir por vezes alguma distância da sua atual função”, aponta Pierre Moscovici, comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, em entrevista ao jornal online “ECO” esta segunda-feira.

Segundo Moscovici, o mesmo já aconteceu com Jeroen Dijsselbloem: o lugar de presidente do Eurogrupo é uma posição de “prestígio, “mas a arbitragem que precisa de fazer não é necessariamente favorável ao seu próprio país”. “O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, tem posições diferentes [no Eurogrupo] das que tem enquanto ministro das Finanças da Holanda”, explica.

Para o homem que monitoriza as finanças de de todos os Estados europeus, Portugal é “uma história de sucesso” e teria sido “uma injustiça” não recomendar a sua saída do Procedimento por Défice Excessivo – mesmo tendo em conta que a possibilidade da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos estrague o número do défice deste ano.

“Baseado na informação disponível neste momento, e com as garantias dadas pelo Governo português, não esperamos que isto [a recapitalização da Caixa] coloque em risco a correção do défice de forma duradoura. E mesmo que haja um ligeiro aumento num ano, ele será corrigido. É justificado recomendar a saída do PDE e seria injusto penalizar o atual Governo de Portugal e o povo português por esse momento, que é um incidente que não muda o facto de que o défice foi colocado de forma duradoura abaixo dos 3%”, diz o dirigente francês.

Quanto ao défice para os próximos anos, Moscovici deixa um recado ao Governo: não vale tudo. “Não queremos um ajustamento no défice que baixe o crescimento”.

“Temos de ter em conta que temos um problema de procura na Europa e na zona euro, e também precisamos de considerar que não queremos um ajustamento nas finanças públicas que baixe o crescimento deste ano e do próximo”, adverte.