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Banca da zona euro é dominada pelo setor público e é alvo de interferências políticas

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Levantamento aponta que não mais de 35% dos bancos da região devem ser vistos como instituições transparentes

A posição pública na Caixa Geral de Depósitos e no Novo Banco não são excepções, mas uma tendência ao nível europeu. Entre os cem maiores bancos do euro, supervisionados pelo Banco Central Europeu, mais de 40% estão em mãos públicas e mais de 60% sofrem interferências políticas, segundo um levantamento feito por Nicolas Verón, investigador sénior do think tank europeu Bruegel, e responsável pela avaliação ao FMI que arrasou a supervisão do Banco de Portugal à banca.

Esta notícia é avançada pelo “Diário de Notícias” esta segunda-feira. “Os decisores europeus e os analistas tendem a partir do princípio de que a maioria dos bancos são entidades cotadas, com estruturas dispersas entre investidores”, explica o autor.

Além do predomínio público, o mesmo levantamento aponta que não mais de 35% dos bancos da região devem ser vistos como instituições transparentes. "Os bancos cotados, com acionistas diversificados, são a exceção entre os bancos mais significativos do euro", diz.

A maioria dos bancos do setor público “são detidos por governos ou cooperativas, ou influenciados por um acionista ou investidores com grandes participações ou de qualquer forma propensos a sofrer influências políticas diretas”, refere.

De acordo com o matutino, no grupo de bancos regulados pelo BCE há 126 instituições, que se tornam 122 ao eliminar-se os que têm os mesmos donos e 97 se olharmos só para os que estão sediados na zona euro.

Verón visou estes 97 bancos, dividindo-os em seis tipos de estrutura acionista: dispersa, de influência minoritária, de controlo privado, de cooperativas, do setor público ou nacionalizados. Ao nível europeu, há 40 instituições controladas por entidades públicas (nacionalizadas), ou seja, 41% das 97 instituições significativas.