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Centeno critica austeridade imposta por Bruxelas: “Foi receita errada, parcial e incompleta”

RAFAEL MARCHANTE / Reuters

Em entrevista ao “El País”, o ministro das Finanças acusa a política de austeridade imposta pela Comissão Europeia de ter efeitos indesejados na recuperação económica de países como Portugal

Em entrevista publicada esta quinta-feira no “El País”, o ministro português das Finanças critica duramente a política de austeridades imposta pela Europa a países como Portugal dizendo que se trata de “uma receita errada, parcial e incompleta”

“Tentaram convencer-nos de que a única solução era a austeridade, que foi globalmente excessiva. Aplicou-se um discurso de reformas estruturais que não só cansou as pessoas como impediu o efeito dessas reformas. A Europa aplicou uma receita errada, parcial e incompleta”, afirmou Mário Centeno.

“Eram necessárias reformas estruturais, mas acompanhadas de estímulos que promovessem a mudança”, acrescentou o governante português.

Na breve entrevista concedida a este diário de Madrid, questionado sobre os processos de saneamento financeiro em curso no sector bancário, Centeno defende que os resultados já alcançados tornam Portugal um caso único a nível europeu.

“Tínhamos sete grandes problemas e resolvemos seis: Banif comprou o Santander; BCP foi capitalizado; BPI foi comprado, felizmente, pelo La Caixa; o maio banco português, CGD, foi capitalizado com dinheiro público; o Novo Banco foi vendido a um fundo americano; e o Fundo de Resolução, com uma dívida enorme devido ao encerramento do Banco Espírito Santo, tem um empréstimo do estado a liquidar em 30 anos”, refere o ministro português.

“Contas feitas, temos capital espanhol, chinês, angolano e norte-americano investido na banca portuguesa. Um caso único na Europa”, concluiu Centeno.