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BE e PCP: Centeno a presidir ao Eurogrupo seria legitimar políticas de austeridade

Tiago Miranda

João Oliveira critica Marques Mendes por este ter dito que Centeno estava “deslumbrado” e a oferecer-se para o cargo. “Não consigo encontrar uma ponta de credibilidade numa afirmação que é o contrário do que andou a dizer ao longo dos anos”, diz o dirigente do PCP

Para o PCP e o Bloco de Esquerda, há cargos de prestígio mais meritosos do que outros. O de presidente do Eurogrupo não é um desses. Os dois partidos que apoiam o Governo de António Costa olham, no mínimo, com desconfiança para a ideia de ter um português, Mário Centeno, a liderar uma instituição europeia que consideram ter causado muitos danos ao país, conta o “Público” esta quinta-feira.

Catarina Martins, líder do Bloco, disse na quarta-feira a um grupo de jornalistas que o Eurogrupo “não é resposta a nada” e que dali “nunca veio qualquer boa notícia para o nosso país”. “Não acho que faça sentido estarmos nestas conversas; não me parece que seja isto que interessa ao país”, apontou.

Para a bloquista, o Eurogrupo “é um grupo de pressão que não tem cumprido regras básicas de legitimidade democrática, portanto não acho bem que um país como Portugal legitime ainda mais um organismo que provou ultrapassar todas as regras da democracia para impor aos países a austeridade e uma opção ideológica para lá das escolhas democráticas” dos Estados-membros.

Jorge Costa, deputado do BE, em declarações ao matutino, vinca uma mensagem muito semelhante à da líder do partido. Centeno no Eurogrupo só poderá ser uma boa notícia se este “tiver uma atitude crítica e distanciada em relação ao que foi o seu funcionamento até agora”, sobretudo em relação aos países endividados do Sul. Mas já será má notícia “se, em vez de defender Portugal, procurar os elogios de Schäuble”.

Já o PCP, pela voz de João Oliveira, ainda antes de falar sobre o ministro das Finanças, começa por criticar as palavras de Marques Mendes, no domingo à noite, na SIC Notícias, que disse que Centeno estava “deslumbrado” e a oferecer-se para o cargo. “Não consigo encontrar uma ponta de credibilidade numa afirmação que é o contrário do que andou a dizer ao longo dos anos”, frisa o deputado.

Oliveira assume que a nomeação de um português para a liderança do Eurogrupo possa ser uma “tática de dar uma imagem de marcha-atrás [nas medidas de austeridade impostas] – mas será apenas para disfarçar”.

“Estes Estados [Alemanha, França ou Holanda] vão continuar a impor a sua política e nunca reconhecerão os erros que cometeram. A questão não é quem preside, mas para que serve e a quem serve o Eurogrupo e as opções políticas que quem o lidera aceita impor aos restantes países”, disse.