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José Eduardo Moniz: “Vive-se um clima de ilusão. Oxalá tarde muito o trambolhão que há de pôr toda a gente de novo a rezar a Nossa Senhora”

Ana Baião

O consultor da TVI e vice-presidente do Benfica confirmou, tal como já tinha sido noticiado há alguns meses que foi convidado pelo PSD para ser o candidato à autarquia de Lisboa

Portugal é “um país adiado”, diz José Eduardo Moniz, consultor da TVI e vice-presidente do Benfica, em entrevista ao “Jornal Económico” esta sexta-feira. A culpa (e o mérito) está no Governo de António Costa. “Vive-se um clima de ilusão. Saiu-se da depressão para uma quase euforia. Ninguém pára para pensar. De um momento para o outro, o dinheiro que não havia apareceu. Parece o milagre da multiplicação. Oxalá tarde muito o trambolhão que há de pôr toda a gente, de novo, a rezar a Nossa Senhora”, disse.

Para Moniz, o atual Governo, embora sustentado numa “aliança colada com muito cuspo”, é o mais competente que já conheceu em questões de comunicação e propaganda. “Nunca nenhum governo conseguiu fazer passar a ideia de que Portugal está no melhor dos mundos como este”, disse.

O país, explicou, continua “mais ou menos na mesma”, “as reformas estruturais não se fazem, os salários são o que se sabe, os empregos que se criam são de baixa remuneração, os mais jovens continuam a olhar para o estrangeiro como a melhor hipótese para o seu futuro”.

Para facilitar a vida a António Costa, há ainda a “muita falta de jeito” de Passos Coelho de estar na oposição. “Não se consegue libertar de um espartilho comportamental, conceptual e verbal que não convence”, explicou.

Lisboa e as autárquicas

Em entrevista ao “Económico”, o consultor da TVI confirmou, tal como já tinha sido noticiado na época, que foi convidado pelo PSD para ser o candidato à autarquia de Lisboa. Contudo, este não aceitou. “Tenho prioridades na minha vida que não se coadunam com o que é hoje a vida política em Portugal, atividade pouco entusiasmante com o enquadramento e intervenientes atuais. E há muita gente a pensar como eu. Creio, aliás, que a principal reforma estrutural de que Portugal precisa se prende com o mundo da política e dos seus protagonistas, com o amorfismo, a mediocridade e o seguidismo que nele imperam”, justificou.

Tanto os nomes escolhidos pelo CDS-PP como pelo PSD para Lisboa não o deixaram contente. Não são “candidaturas entusiasmantes”, disse.

Segundo José Eduardo Moniz, Lisboa podia estar bem melhor neste momento, “se se pensasse mais nas pessoas que nela vivem e menos nos turistas, se se procurasse criar condições para mais pessoas a habitarem, em vez de as atirarem para os subúrbios, se se cuidasse do que é estrutural e não das aparências e da propaganda, se se deixasse de perseguir quem é obrigado a andar de carro, quase como se de um delinquente se tratasse, e se, finalmente, se passasse das promessas aos atos e se montasse um sistema de transportes públicos verdadeiramente eficiente e amigo do utilizador”.