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Marco António Costa: “O fundamentalismo de que o PS nos acusava? Conseguiu ultrapassar-nos com o que fez na segunda metade de 2016”

Luís Barra

Segundo o vice de Passos Coelho, o PSD não se sente “vítima” das circunstâncias, dos resultados alcançados pelo Governo do PS e “sente sempre satisfação quando há boas notícias”

O crescimento de 2,8% da economia portuguesa no primeiro trimestre do de 2017 “confirma que o Governo [de António Costa] mudou de estratégia orçamental na Primavera do ano passado”, diz Marco António Costa, vice-presidente do PSD, em entrevista ao “Público” e à “Renascença” esta quinta-feira.

“O Governo meteu travão a fundo na despesa e procurou por todos os meios obter receita extra, para assegurar um défice mais baixo do que aquele que previa. Aquele fundamentalismo de que o PS nos acusava? Conseguiu ultrapassar-nos com o que fez na segunda metade de 2016”, acusou.

Segundo o social-democrata, o PSD não se sente “vítima” das circunstâncias, dos resultados alcançados pelo Governo do PS e “sente sempre satisfação quando há boas notícias”. Marco António Costa alinha pela mesmo discurso de outros membros sociais-democratas que já falaram publicamente sobre os resultados alcançados pela estratégia de Mário Centeno: “o país está a beneficiar de um conjunto de decisões e reformas que foram feitas ao longo dos últimos anos”.

“O que o Governo fez foi realinhar a estratégia, a nosso ver bem, embora tenha perdido o ano de 2016 naquilo que era uma perspetiva de crescimento mais ambiciosa”, apontou.

O social-democrata rejeitou também a tese que o PSD esteja “irritado” com os resultados alcançados pelo PS. “Estamos satisfeitos porque trabalhámos tanto, lutámos tanto, passámos tantas dificuldades para libertar o país de um programa de ajustamento duríssimo – que em 2014 terminou, mas que outros queriam que continuasse – recordam-se que o PS queria um programa cautelar. E hoje estaríamos como está a Grécia. Portanto, temos todo o crédito para dizer que não nos façam essa acusação que é injusta. E é uma forma bastante desonesta de nos tentar posicionar no debate. Não nos vamos deixar diminuir no debate”, disse.

Para o vice de Passos Coelho, o PSD foi “bastante conservador” nas últimas eleições: “não tivemos a ousadia de prometer o que não tínhamos a certeza de que era possível. E portanto, paga-se isso em política. Se calhar pagámos isso com a não obtenção de uma maioria absoluta”, explicou.