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Eventual acidente nuclear em Almaraz pode afetar 800 mil portugueses

joão carlos santos

Simulação teve por base um cenário idêntico ao acidente de Chernobyl, em 1986

Caso ocorra um acidente grave na central nuclear de Almaraz, em Espanha, cerca de 800 mil portugueses podem vir a ser afetados pela radioatividade, de acordo com uma simulação feita pelo Elemento de Defesa Biológico, Químico e Radiológico do Comando das Forças Terrestres em 2010 a que a Rádio Renascença teve acesso.

Esta simulação teve por base um cenário idêntico ao acidente de Chernobyl, em 1986: o rebentamento de um reator, seguido de incêndio. O programa simulou a evolução da nuvem radioativa nas 40 horas que se seguissem à explosão e a sua deslocação pelo território português, onde chegaria 12 horas após o acidente.

“Os distritos atingidos pela nuvem radioativa são os que ficam no norte de Portugal, sendo que o distrito de Castelo Branco será o mais afetado, mas sempre com valores baixos de radioatividade. No total, prevê-se que afete 800 mil pessoas”, revela a major de engenharia Ana Silva, comandante do Exército responsável pelas questões nucleares.

“Dada a proximidade com a fronteira espanhola, os concelhos de Idanha-a-Nova, Castelo Branco e Penamacor, onde vivem cerca de 45 mil pessoas, registam o maior nível de afetação”, diz. Para esta oficial, o problema não é tanto o que resulta da exposição imediata à radiação, mas sim “os efeitos que se podem manifestar caso a exposição seja prolongada”.

Logo em 2010, o Elemento de Defesa Biológico Químico e Radiológico do Comando das Forças Terrestre apresentou a sua simulação aos técnicos de Almaraz – e as previsões das consequências coincidem. Contudo, nunca se organizaram exercícios conjuntos nem há planeamento partilhado de riscos entre Portugal e Espanha.

A Autoridade Nacional de Proteção Civil não conhece o estudo nem realizou nenhum exercício com base nas suas conclusões.