Siga-nos

Perfil

Expresso

Revista de imprensa

Francisco Louçã: “Não vai haver um processo de substituição do governador do Banco de Portugal no contexto que estamos a viver”

José Caria

“O critério das agências de rating é um critério político, não é um critério financeiro”, aponta Francisco Louçã

Houve uma “gravíssima crise” entre o Governo, a maioria política e o governador do BdP, a propósito do processo de resolução do Novo Banco. “Nessa altura, foi a minha opinião e de algumas outras pessoas que devia ter sido invocada uma falta grave e, portanto, devia ter sido iniciado o processo de substituição do governador”, diz Francisco Louçã, ex-líder do Bloco de Esquerda e conselheiro de Estado, em entrevista ao “Público” e à Renascença esta quinta-feira.

O Governo de António Costa escolheu não afastar Carlos Costa. E agora já não é o momento para essa discussão, aponta o economista. “O Governo escolheu não o fazer e, portanto, esse assunto está encerrado, não há agora um processo de substituição do governador e não vai haver no contexto que estamos a viver. Pelo contrário, o Banco de Portugal até recuperou o assento, porque reconstituiu a sua administração com sinais que me parecem relevantes, do ponto de vista do seu esforço e da sua competência”, diz Francisco Louçã, que integra o conselho consultivo do Banco de Portugal desde este ano.

“O rating é totalmente indiferente ao nível da dívida”

O rating “é totalmente indiferente” ao nível da dívida, diz Louçã. “O critério das agências de rating é um critério político, não é um critério financeiro. Não tem que ver com a realidade da economia portuguesa. A economia portuguesa registou saldos primários positivos nos últimos dois anos, registou um crescimento que é significativo ao nível da UE, apesar do esforço que nos é imposto pelo Tratado Orçamental, e continuamos "lixo".

Não muda nada, a única decisão é política e é por isso que a DBRS, que é uma sucursal do BCE, toma decisões políticas de manter Portugal fora do "lixo", nada mais. Nós podemos fazer o que quisermos, que nada mudará do ponto de vista do conceito do "lixo" pelas três principais agências de notação. Não há nada a fazer esse respeito, elas não mudarão”, disse.

“O Estado passou a ter a obrigação de propor uma reestruturação da dívida”

O relatório sobre a reestruturação da dívida pública acordado entre o PS e o BE é um marco político a ter em conta, defende Francisco Louçã. “Para mim, o que fica é que o BE conseguiu um acordo com o PS, para o que dois partidos possam trabalhar em concreto e fazer um esforço rigoroso. Em segundo lugar, que o PS foi chamado pela primeira vez ao citar uma reestruturação da dívida, isso é uma mudança total em Portugal. Não é muito fácil obrigar o PS, que é um partido maioritário do Governo, a ser condicionado à obrigação de fazer uma proposta de reestruturação da dívida. Isto muda a política portuguesa”, explica.