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Margarida Marques: “O problema das dívidas é um problema europeu”

Marcos Borga

“Há uma crise” nos partidos tradicionais, mas também na esquerda europeia, assume Margarida Marques, secretária de Estado dos Assuntos Europeus

Portugal vive um bom momento: se tudo correr conforme previsto, o país estará prestes a sair do Procedimento por Défice Excessivo, aponta Margarida Marques, secretária de Estado dos Assuntos Europeus, em entrevista ao “Público” e à Rádio Renascença esta quinta-feira.

Segundo a governante, faz todo o sentido Portugal apresentar um relatório sobre a renegociação da dívida pública. “O problema das dívidas é um problema europeu”, e não só dos países do sul.

As instituições europeias já conhecem a posição de Portugal e esta discussão ter de ser aberta a todos os membros, acrescenta.

França, Macron, Le Pen e a crise nos partidos tradicionais

“Há uma crise” nos partidos tradicionais, mas também na esquerda europeia, assume também Margarida Marques. As eleições presidenciais em França são exemplo claro disso, aponta. Portugal já anunciou o apoio a Emmanuel Macron, o candidato que defende a permanência do país na União Europeia, mas isso não quer dizer que o PS esteja convencido com o candidato.

“Essa posição que Portugal, Alemanha, a Comissão e outros países manifestaram não é, digamos, um apoio a Macron. É uma preocupação relativamente a Le Pen. E essa posição do Governo português, designadamente, tem a ver com a Europa, com o futuro da Europa e com a preocupação que a senhora Le Pen representa. E isso não é só uma preocupação nossa, é uma preocupação dos franceses. Repare como na noite das eleições houve uma reação muito forte de praticamente todos os restantes candidatos no apoio a Macron”, explica Margarida Marques.

Brexit: “Orientações de saída são equilibradas”

A União Europeia não está contente com a saída do Reino Unido, mas também não vive um período de vingança. “A Comissão Europeia preparou as guide lines com o Conselho. E os líderes no Conselho Europeu, no próximo sábado, vão a adotar essas guide lines. O que nós achamos é que essas orientações para as negociações são bastante equilibradas. Não têm uma atitude de revanchismo relativamente ao Reino Unido; procuram criar condições para negociar um acordo equilibrado para os dois lados; um acordo que não dê ao Reino Unido uma situação mais privilegiada do que a que tem hoje. E sobretudo têm posições muito equilibradas relativamente às questões que nos preocupam: a questão dos cidadãos – nós temos uma comunidade portuguesa muito importante no Reino Unido a estratégia de negociação aqui colocada corresponde às nossas preocupações”, diz.