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Pedro Marques: “Abrandar a consolidação poderia pôr em perigo o país”

ANTÓNIO COTRIM / Lusa

Segundo o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, há margem de manobra nas contas públicas, mas esta é muito reduzida

Para Pedro Marques, ministro do planeamento, o PCP e o BE encontraram com o Governo “um bom ponto de convergência”, entre a responsabilidade orçamental e reforço da coesão social. “Diria que um abrandar da nossa vontade, da nossa determinação em ter boas contas públicas, podia fazer perigar a própria situação de longo prazo do país. Temos uma dívida pública muito elevada e que precisa de ser reduzida de forma substancial”, justificou Pedro Marques em em entrevista ao “Público” e à “Renascença” esta quinta-feira.

Segundo o ministro, há margem de manobra nas contas públicas, mas esta é muito reduzida. “A melhoria da situação orçamental de 2016 criou margem para, por exemplo, mobilizar um montante tão elevado de recursos públicos para a capitalização da CGD. Se não tivéssemos um superávit [saldo orçamental sem juros] tão elevado, se calhar os mercados ficariam mais preocupados com o aumento de dívida pública que foi foi necessário para a capitalização da CGD, que é um objectivo que nos une à esquerda”, disse.

Será o equilíbrio das contas públicas que vai “permitir encontrar os recursos no próximo ano para melhorar a situação dos funcionários públicos e recuperar o que está bloqueado há anos. Ou para introduzir mais justiça no IRS”, explicou.

Mesmo que o rating da dívida pública se altere, o Governo não pode estar tranquilo. “O rating é preciso que se altere, para que as taxas de juro possam baixar ainda de forma mais sustentada. Achamos aliás que é justo para o país. Mas, mesmo que aconteça, não é no dia a seguir que a nossa dívida pública diminui drasticamente. A dívida diminuirá com mais crescimento económico e menos taxas de juro. O rigor nas contas e a aposta nas reformas estratégicas é o que vai tirar o país de uma situação de risco em que foi colocada por uma depressão económica fortíssima, que fez disparar a dívida”, disse.