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Farmácias testam software não autorizado pela Comissão Nacional de Proteção de Dados

João Carlos Santos

O sistema Profiler está a ser testado há cinco meses em cerca de 30 farmácias sem a autorização da Comissão Nacional de Proteção de Dados

Marketing especializado numa ida à farmácia? A empresa tecnológica portuguesa Glintt, que pertence ao grupo Associação Nacional de Farmácias (ANF), criou um programa que permite às farmácias reconhecerem os utentes antes do atendimento, através de uma base de dados, e direcionar-lhe, nos écrans digitais, enquanto esperam, sugestões de compras consoante o seu perfil.

Este sistema – o Profiler – está a ser testado há cinco meses em cerca de 30 farmácias sem a autorização da Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), avança o “Correio da Manhã” esta quarta-feira.

Para ter acesso ao perfil de cada cliente, o Profiler utiliza a base de dados do programa Saúda, que tem o cartão de fidelização. Com o cartão Saúda, o utilizador ganha pontos pela aquisição de produtos de bem-estar, de medicamentos sem receita médica e de serviços, que podem ser trocados mais tarde por vales.

O Profiler, com acesso à base de dados da Saúda, cria um perfil de compras para dirigir publicidade específica para cada cliente, sendo que não foi pedida qualquer autorização aos próprios clientes, explicou ao matutino a CNPD.

Contactada pelo “Correio da Manhã”, a ANF disse considerar que a solução informática não carece de autorização. O Profiler “é apenas um gestor de filas de espera [senhas de atendimento] do programa Saúda” e que “não trata qualquer tipo de dados, porque quem os trata é o Saúda, e este está devidamente autorizado pela Comissão Nacional de Proteção de Dados”, disse.