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Nacionalizar o Novo Banco “desrespeitaria acordo” com a Europa, diz o Governo

José Carlos Carvalho

Para o Ministério das Finanças, a integração do Novo Banco na esfera pública era sem dúvida uma pior alternativa à entrega da instituição a troco de zero e da cedência de um mecanismo de capital contingente

Para o Bloco de Esquerda e o PCP, o Novo Banco devia ser nacionalizado, não vendido ao fundo norte-americano Lone Star. Mesmo apoiando o Governo minoritário do PS, os dois partidos de esquerda não se conseguiram fazer ouvir. O Executivo de António Costa nunca levou essa possibilidade para as negociações para junto das outras instituições europeias.

“Uma nacionalização desrespeitaria o acordo da República Portuguesa com as instituições europeias, pelo que não sabemos à partida se seria exequível.” Estas palavras, vindas do Ministério das Finanças, quando questionado pelo “Diário de Notícias”, não deixam margem para dúvidas. A nacionalização do Novo Banco além de custar "no imediato" mais de quatro mil milhões, teria ainda "impactos significativos" nos cortes exigidos à banca pública, explicou o ministério.

Segundo o ministério, a integração do banco na esfera pública era sem dúvida uma pior alternativa à entrega da instituição a troco de zero e da cedência de um mecanismo de capital contingente. O gabinete liderado por Mário Centeno apontou ainda para os potenciais custos sociais das exigências que adviriam do aumento da posição pública no setor financeiro.

“Caso fosse possível, uma nacionalização do NB aumentaria a posição dominante do Estado no setor da banca (juntamente com a CGD) com riscos para uma eventual reestruturação da banca nas mãos do Estado que deveria ter impactos significativos em termos de despedimentos de colaboradores e encerramento de balcões e serviços”, explicou.