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Entrada da Santa Casa no Montepio “seria uma nacionalização parcial de um banco”, diz Bagão Félix

MÁRIO CRUZ / LUSA

Para o antigo ministro, Passos Coelho mentiu quando disse que a resolução do BES não teria custos para os contribuintes… e António Costa está a fazer o mesmo com a venda do Novo Banco

Para ex-ministro da Finanças Bagão Félix, a entrada da Santa Casa da Misericórdia no Montepio “é um disparate”, “uma ideia um pouco peregrina”. “Espero que não venha a acontecer. Além do mais, seria uma nacionalização parcial de um banco, neste caso da Caixa Económica, por via da Santa Casa, que tem o exclusivo dos jogos sociais”, explica, em entrevista ao “Público” e à Renascença esta quinta-feira.

Ao contrário do Governo, Bagão diz estar preocupado com o que se passa no Montepio. “No princípio é uma situação que não preocupa ninguém, mas o que temos verificado em todos os casos do sistema bancário e financeiro é que aquilo que começa apenas por ser o verbo no fim é uma grande verba. E as notícias recentes sobre a Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) – que é detida na totalidade pela Associação Mutualista Montepio Geral –, sobre a possibilidade de outras entidades, como a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, poderem vir a fazer parte do capital da CEMG é um absoluto contra-senso, um disparate”, sustenta.

“Venda do Novo Banco vai ter custos para os contribuintes e de várias maneiras”

Passos Coelho mentiu quando disse que a resolução do Banco Espírito Santo não teria custos para os contribuintes… e António Costa está a fazer o mesmo com a venda do Novo Banco, aponta Bagão Félix na mesma entrevista.

Segundo ele, o primeiro-ministro disse “que não haveria, nem agora, nem no futuro, custos diretos ou indiretos para o contribuinte e, portanto, não afetaria, entre outras coisas, o défice. Isso não corresponderá à realidade. Era bom, é um desejo, mas de desejos desses estamos todos fartos. Recordo-me que o anterior Governo, em agosto de 2014 [aquando da resolução do Banco Espírito Santo], também referiu que o Tesouro tinha emprestado 3900 milhões de euros ao Fundo de Resolução e que não haveria qualquer problema para os contribuintes. Como se vê e já era expectável, até por experiência de casos anteriores, isso não iria corresponder à realidade”, justifica.

Mais: Bagão Félix diz que haverá custos para os contribuintes “e por várias razões”. “Em primeiro lugar a operação não é grátis. Nunca o seria, mas não é grátis porque o dinheiro que o Estado emprestou ao Fundo de Resolução é dinheiro que o Estado teve de pedir emprestado. Portanto, o primeiro custo é o custo do empréstimo ao Fundo de Resolução. Depois, há um segundo custo: quase 20% do Fundo de Resolução é constituído pela CGD, logo, se a garantia dada de 3890 milhões de euros tiver de entrar em funcionamento, recai [sobre a CGD] por via de menor distribuição de dividendos ao único accionista que é o Estado e pela possibilidade de ser necessário um aumento de capital”, explica.

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