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Teixeira dos Santos: “Nós vamos todos pagar” o Novo Banco

© Hugo Correia / Reuters

Para o ex-ministro das Finanças – responsável pela nacionalização do BPN –, o Fundo de Resolução nunca foi a melhor solução para o BES. Qualquer encargo que tenha de ser assumido pelos bancos que financiam o Fundo de Resolução vai acabar por ser pago através do aumento das taxas bancárias, defendeu

A venda do Novo Banco à Lone Star acabará por pesar nos bolsos dos portugueses, diz Fernando Teixeira dos Santos, ex-ministro das Finanças e atual presidente do banco BIC, em entrevista à “TSF” esta quinta-feira. “É certo que tudo o que forem perdas imputadas ao processo (de venda do Novo Banco) vão estar no Fundo de Resolução. E esse é um encargo que os bancos vão ter que suportar nos próximos 30 anos e que vão ser repercutidos nos cidadãos”, apontou.

Para o ex-ministro das Finanças – responsável pela nacionalização do BPN –, o Fundo de Resolução nunca foi a melhor solução para o BES. “Nós vamos pagar isto”, sublinhou Teixeira dos Santos. Qualquer encargo que tenha de ser assumido pelos bancos que financiam o Fundo de Resolução vai acabar por ser pago através do aumento das taxas bancárias, apontou.

A ideia de nacionalizar o Novo Banco “não faz sentido”. “Fala-se em fecho de balcões, redução de pessoal e não me parece que, se o banco ficar na posse do Estado, pudesse levar a cabo um plano de reestruturação e de ganho de eficiência que seria necessário”, explicou.

A possibilidade de o Estado ficar com 25% do capital do Novo Banco, sem direito de voto e sem a possibilidade de nomear um administrador, também não é inteligente, diz o banqueiro. “Se o Estado mantiver 25% no banco e for um parceiro mudo, é uma forma de partilhar o risco da operação. Pode correr bem ou pode correr mal”, disse.