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Comandos. Capitão do curso diz que grupo era de “médio” e “baixo” nível

Tiago Miranda

“Quase todos os instruendos [do grupo de graduados] tinham falta de motivação, falta de espírito de sacrifício, falta de carácter”, aponta o capitão responsável pelo curso 127 de comandos, num depoimento dado ao Exército

Para o capitão responsável pela companhia do curso 127 dos comandos, de acordo com o depoimento recolhido no âmbito do inquérito-crime às mortes de dois recrutas, o grupo “era constituído por instruendos na sua generalidade de médio/baixo” nível quanto à “parte física”, conta o “Público” esta segunda-feira.

Esta “avaliação empírica” foi feita pelo próprio capitão num interrogatório interno levado a cabo pelo Exército para o apuramento de responsabilidades na morte de dois formandos – Hugo Abreu e Dylan da Silva.

“Quase todos os instruendos [do grupo de graduados] tinham falta de motivação, falta de espírito de sacrifício, falta de carácter”, apontou o capitão, destacando ainda “pela negativa um instruendo em particular por ter simulado desmaios e quebras de tensão".

Quando confrontado pelo oficial que conduziu o processo, coronel Siborro Reis, de que “no respeitante à parte física, todos [os recrutas] tinham superado as provas físicasde acesso” ao curso, o capitão “disse que durante o estágio” de preparação, nas quatro semanas antes do início do curso, “o desempenho na generalidade do grupo foi aquém do que seria de esperar de um grupo de graduados”.

O capitão do curso 127 dos comandos vai ser interrogado esta segunda-feira no Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa, juntamente com um tenente-coronel suspeito de não ter acatado as ordens do general comandante das Forças Terrestres que mandara suspender a recruta.