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Banco de Portugal podia ter retirado idoneidade a Ricardo Salgado em 2013

Luis Barra

Responsáveis técnicos pela supervisão do BdP defenderam em dezembro de 2013 que Ricardo Salgado perdesse a idoneidade, mas o governador Carlos Costa não concordou

A administração do Banco de Portugal teve, nos primeiros dias de dezembro de 2013, uma oportunidade para retirar a idoneidade ao presidente do Banco Espírito Santo (BES) Ricardo Salgado, mas não a utilizou.

De acordo com o que revela o “Público” esta quinta-feira, os responsáveis técnicos pela supervisão do BdP defenderem o afastamento de Salgado, com base em informações obtidas sobre o repatriamento de capitais e as correcções fiscais do banqueiro.

Na época, o ex-presidente do BES já havia revelado que tinha usufruído do regime extraordinário de regularização tributária (RERT) para trazer 14 milhões de euros para Portugal. Os técnicos do banco central entendiam que a confissão de omissão deliberada de juros e de mais-valias apuradas no exterior, à espera de amnistias fiscais, seriam argumentos suficientes para o banqueiro perder a idoneidade.

Ao mesmo tempo, a instituição liderada por Carlos Costa já estava em alerta para a situação financeira do BES – algumas semanas antes, tinha chegado ao conhecimento do governador que as contas da Espírito Santo International (ESI) apresentavam um desvio de 1,3 mil milhões de euros.

O BdP defendeu que não podia contar com esses dados, pois tinham sido obtidos de forma privilegiada. Já os técnicos defenderam que os dados de que dispunham lhe foram facultados por Ricardo Salgado e, como tal, a questão não se colocava. No final, foram os técnicos que saíram derrotados.

Segundo o matutino, esta foi uma das reuniões mais tensas de que há memória dentro do Banco de Portugal, e Carlos Costa, atual governador da instituição, uma das personagens principais. De um lado, estiveram os administradores Silveira Godinho, Amaral Thomaz e o vice-governador, Duarte Neves. Do outro, os responsáveis pelos departamentos de supervisão, Luís Costa Ferreira e Pedro Machado, e serviços jurídicos, José Queiró e Bracinha Vieira.