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Carlos Encarnação: Passos “é um obstáculo a que o PSD se reorganize, se revitalize e se consiga afirmar”

Tiago Miranda

Para o ex-deputado e ex-presidente da Câmara de Coimbra, o partido “tem muita gente com categoria e com qualidades” para substituir Passos Coelho. “O PSD não é um deserto e cabe ao líder interpretar isso”, diz

De Messias a obstáculo. Para Carlos Encarnação, ex-deputado e ex-presidente da Câmara de Coimbra pelo PSD, Pedro Passos Coelho “é um obstáculo a que o PSD se reorganize, se revitalize e se consiga afirmar”. Em entrevista ao jornal “i” esta terça-feira, Carlos Encarnação não poupa o líder social-democrata, defendendo até que este devia abdicar da liderança do partido, e mostra-se muito irritado com a escolha da candidata Teresa Leal Coelho para a candidatura a Lisboa.

“Eu tenho muitas pessoas de confiança e nem sempre as escolho para as coisas. Foi assim durante toda a minha vida. A pessoa pode ter muita confiança na outra e ela não cumprir os requisitos para disputar uma eleição. O PSD não pode apresentar um candidato para disputar o segundo ou o terceiro lugar. O partido devia ter um candidato para ganhar. E essa tradição do PSD. Eu não vejo volta a dar em relação a isso. O candidato foi mal escolhido. O candidato não cumpre os requisitos para lutar pela vitória em Lisboa. Ponto final”, aponta Carlos Encarnação.

Para o social-democrata, as eleições autárquicas não são um momento qualquer. “Quando um partido está na oposição e quer verdadeiramente romper com a situação e afirmar-se, utiliza as autárquicas como um instrumento importante de realização política”, diz.

Mas o PSD deixou “arrastar-se” pelas circunstâncias e acaba por ficar com “aquilo que sobra para apresentar como candidato”: Teresa Leal Coelho. Com esta candidata, o PSD irá competir pelo segundo lugar, mas não pela liderança do município de Lisboa. “As pessoas podem tentar dourar a pílula, mas essa é a verdade nua e crua”, frisa.

Se o resultado for tão “mau” nas autárquicas como se prevê, Passos Coelho terá de tirar consequências políticas. Mas para Encarnação isso também poderia acontecer ainda antes das eleições. “O problema do PSD, nesta altura, é que um líder que está nestas condições não pode deixar de compreender que a única coisa que tem a fazer, para bem de todos, é pedir uma licença sabática e compreender que ele é um obstáculo”, diz.

Segundo Carlos Encarnação, “o PSD tem muita gente com categoria e com qualidades” para substituir Passos Coelho. “O PSD não é um deserto e cabe ao líder interpretar isso”, aponta.