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Banco de Portugal acusa ex-gestores do Montepio de irregularidades graves em ajudas ao GES

Tomás Correia deverá ser substituído por José Félix Morgado. Críticos dizem que esta é uma solução de continuidade

Luís Barra

Tomás Correia e mais oito ex-responsáveis da Caixa Económica Montepio Geral são acusados pelo Banco de Portugal de várias contra-ordenações graves e arriscam-se a pagar coimas que podem chegar a quatro milhões de euros

Tomás Correia e mais oito ex-responsáveis da Caixa Económica Montepio Geral estão a ser acusados num novo processo movido pelo Banco de Portugal. A entidade liderada por Carlos Costa acusa-os de terem concedido financiamento ao Grupo Espírito Santo (GES), numa altura em que universo liderado por Ricardo Salgado já enfrentava notórias dificuldades financeiras, avança o “Jornal de Negócios” esta segunda-feira.

Segundo o matutino, os nove elementos são acusados pelo BdP de várias contra-ordenações especialmente graves e arriscam-se a pagar coimas que podem chegar a quatro milhões de euros.

De acordo com a investigação do Banco de Portugal, a administração liderada por Tomás Correia não cumpriu as boas regras de análise de risco de crédito, nem as respectivas normas internas no financiamento a empresas do Grupo Espírito Santo, feito através de várias operações decididas durante o primeiro semestre de 2014 – a resolução do BES aconteceria logo no segundo semestre do mesmo ano.

Apesar dos sinais de alarme que o BdP já tinha emitido nos primeiros meses de 2014, a gestão da caixa económica, então liderada por Tomás Correia, aprovou pelo menos duas operações de financiamento ao GES. Estes financiamentos obrigaram a caixa económica a registar imparidades extraordinárias nas contas desse ano, um total de 140 milhões de euros – no mesmo ano, a Caixa Económica Montepio Geral teve prejuízos de 187 milhões.

Para além da violação das regras de concessão de crédito e de irregularidades a nível de controlo interno, o processo resulta ainda da infração a normas e limites no financiamento a partes relacionadas: a Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) terá financiado Paulo Jorge Guilherme através do Finibanco Angola, crédito que o filho do construtor José Guilherme usou para adquirir unidades de participação do Fundo de Participação da CEMG.

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