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Augusto Santos Silva defende que fim de populismos na Europa pode já começar este ano

MIGUEL A. LOPES/LUSA

O ministro dos Negócios Estrangeiros diz que a colaboração com os PALOP continua ser uma prioridade para a política internacional para o país, apesar de algumas dissonâncias com Angola e Moçambique

Augusto Santos Silva está otimista para 2017. Para o ministro dos Negócios Estrangeiros, a hecatombe populista que se começou a temer para as eleições europeias deste ano, após a vitória do Brexit e de Donald Trump nos Estados Unidos, não irá acontecer.

“Vejo este ano eleitoral na Europa – que começa com as eleições na Holanda e irá até fevereiro com as eleições em Itália – com bastante otimismo. Nos últimos anos, assistimos a uma maré enchente do populismo e do nacionalismo, e acho que as quatro eleições que se realizarão este ano –Holanda, França, Alemanha e Itália – podem significar o fim dessa tendência crescente do populismo na Europa”, diz, em entrevista à Rádio Renascença e ao “Público” esta quinta-feira.

Segundo a visão do ministro, “o mainstream europeu, a grande maioria dos cidadãos europeus, continua a rever-se na Europa. Continuam a acreditar que o destino natural dos seus países é a Europa. E continuam bem conscientes de que, desde 1945 até ao presente, vivemos o mais longo período de paz na Europa”.

Relações com os PALOP

Apesar das dissonâncias entre Portugal e outros países de língua portuguesa –Moçambique e Angola, em particular –, Augusto Santos Silva diz que a colaboração com Maputo e Luanda continua ser uma prioridade para a política internacional para o país.

“Não vejo de Moçambique nenhum sinal de distanciamento, muito menos de perturbação da relação bilateral”, começa por explicar. Levantado o caso do desaparecimento de um cidadão português e a ausência de resposta por oito meses do governo moçambicano, o ministro dos Negócios Estrangeiros acabou por assumir que “todas as relações bilaterais têm questões”.

Quanto a Angola, do ponto de vista do Governo português “os trabalhos de estreitamento da relação bilateral continuam”. “Angola fez saber que considerava “inamistosa” a forma como foi comunicada uma decisão das autoridades judiciais portuguesas. Nós explicámos aos angolanos que era preciso distinguir as coisas, que a política externa cabia ao Governo e que os processos judiciais cabem às autoridades judiciais, que são independentes do Governo”, explica.

Santos Silva faz questão ainda de frisar que as relações com Angola não se alteraram e que o Governo continua a trabalhar com as instituições do país africano. “Falando ao meu nível, e portanto de um canal muito importante, que representa a comunicação direta – e até pessoal – entre o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal e o ministro das Relações Exteriores de Angola, o que tenho a dizer é que essa relação não se alterou e nós continuamos a trabalhar”, revela.