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António Domingues tem poupanças e é acionista no BPI

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Declaração de rendimentos revela que o antigo presidente da Caixa Geral de Depósitos tem 3,7 milhões de euros depositados no BPI e é detentor de 56.042 ações. Na Caixa, o banqueiro soma 80 mil euros

Meses depois de várias controvérsias, a declaração de rendimentos de António Domingues, ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos, veio a público: as suas poupanças – cerca de 3,7 milhões de euros – estão no BPI, instituição na qual ocupava o cargo de vice-presidente antes de aceitar o convite de Mário Centeno para liderar o banco do Estado. Contudo, ainda há problemas neste caso: cinco dos seis elementos da sua ex-equipa de administração, que estavam obrigados pelo Tribunal Constitucional a apresentar as mesmas declarações, não o fizeram, noticia o “Público”.

Caso estes administradores não entreguem as declarações de rendimentos e património até ao final do mês, ficarão inibidos de assumir funções públicas durante cinco anos. Segundo o jornal, Emídio Pinheiro, Henrique Noronha e Menezes e Paulo Rodrigues da Silva – ex-administradores executivos – não cumpriram até agora nenhuma das obrigações de transparência: nem a entrega inicial de declaração de rendimentos, nem a que estão obrigados após a cessação de funções.

Ao nível dos administradores não-executivos, Angel Corcóstegui Guraya e Herbert Walter também não cumpriram nenhuma das obrigações. Da equipa criada por António Domingues, só Pedro Norton, que transitou para a nova administração de Paulo Macedo, entregou as declarações.

Quando António Domingues apresentou a sua declaração de rendimentos, a 28 de novembro do ano passdo, fê-la acompanhar de um requerimento para manter aquelas informações em sigilo. Porém, este pretensão foi rejeitada pelo Tribunal Constitucional.

Poupanças fora da Caixa e uma surpresa

Na quarta-feira, o primeiro dia em que as declarações de rendimentos estiveram acessíveis para consulta, o “Público” acedeu a todas os documentos entregues pelos administradores da equipa de Domingues.

Na declaração de rendimentos que apresentou no Tribunal Constitucional, relativa ao início de funções na Caixa, o banqueiro revelou que tinha 3,7 milhões de euros em poupanças no BPI. No mesmo documento entregue ao TC, Domingues também fez questão de notar que pagou mais de 6,3 milhões de euros de IRS entre 1990 e 2015.

Domingues soma 80 mil euros depositados na Caixa e é detentor de 56.042 ações do BPI. É dono de dois Porsche 911, um de 1972 e outro de 1995, e de um veleiro, adquirido em 2014. Possui ainda um prédio em Lisboa no valor de 1,2 milhões de euros que lhe proporcionou rendas de 48 mil euros em 2015.

Ter as poupanças pessoais numa instituição na qual se trabalhou não é uma novidade no sector financeiro. Em fevereiro, também foi revelado que as economias de Paulo Macedo, atual presidente da Caixa, estavam quase todas no BCP, instituição com a qual tinha laços há quase duas décadas.

Nos documentos consultados pelo “Público”, destaca-se ainda uma surpresa nas contas de Pedro Leitão. Em 2015, o ex-administrador de várias empresas do grupo PT declarou mais de quatro milhões de euros em trabalho dependente. O Banco Central Europeu, quando se pronunciou sobre o nome de Pedro Leitão para a CGD, alertou para a necessidade da Caixa "acompanhar de perto as próximas fases do processo civil pendente relativo a Pedro Leitão”.

O BCE não especificava qual a situação em causa, mas segundo o “Jornal de Negócios” na época, seria “uma acção judicial relacionada com o facto de o futuro gestor ter sido administrador não executivo da Portugal Telecom na altura em que o grupo investiu em dívida do Grupo Espírito Santo, aplicação que resultou numa perda de 900 milhões de euros”.