Siga-nos

Perfil

Expresso

Revista de imprensa

Nomeação do governador do BdP devia ser feita pelo Presidente, defende Carlos Costa

Marcos Borga

Em 2012, o governador do Banco de Portugal apresentou essa proposta ao ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar, mas a mesma foi ignorada

A bem da independência política do cargo, Carlos Costa diz que o cargo de governador do Banco de Portugal devia ser uma nomeação do Presidente da República e o mandato ter a duração única de oito anos. Mais: em 2012, apresentou essa proposta ao ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar, que depois não teve seguimento.

A revelação está na segunda parte de uma entrevista de Carlos Costa ao “Público”, publicada esta quinta-feira, “Defendo, está escrito – no Ministério das Finanças e nos arquivos do Banco de Portugal – um mandato único de oito anos, em vez de dois mandatos. Exatamente em nome da independência. E defendo que o governador devia ser nomeado pelo Presidente, por indigitação do Governo. E que o presidente do Conselho de Auditoria devia ser nomeado pela Assembleia da República, por indigitação do Governo. O que significa que não excluo, em nada, o Governo do processo. Gostaria era que, para reforçar a independência, houvesse uma dupla legitimidade. Para o governador e para o conselho de auditoria”, explica.

Tem sido noticiado nas últimas semanas a existência de um impasse entre o governador do Banco de Portugal e o Governo. Pelo que foi possível apurar, Carlos Costa já propôs mais do que uma vez nomes da sua confiança para a administração do Banco, mas estes terão sido rejeitados pelo executivo de António Costa.

“Eu não comento diálogos que têm se se travar à porta fechada. E em que o princípio é: o governador apresenta uma proposta e o Governo aprova os nomes. É natural que haja um diálogo intenso. Como em qualquer diálogo há... pontos de vista”, assume.

Questionado sobre a nomeação de Francisco Louçã, por parte do Governo, para o Conselho Consultivo do Banco de Portugal, o governador não identifica qualquer problema e adianta ainda não ter “nenhuma dificuldade em viver com a diversidade”.