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Marcelo Rebelo de Sousa: “Nunca estive em estado de graça político, porque uma parte do centro-direita ansiava pela dissolução” do Governo

José Coelho/ Lusa

Presidente assume que está a usufruir de um estado de graça a nível social, passado um ano de ter tomado posse. Porém, no plano político, as crispações ainda estão presentes, aponta

Marcelo em todo o lado e a todo o momento. Faz um ano que deixou de ser o comentador político e tomou posse como Presidente da República. Mas Marcelo nunca deixou de ser Marcelo, o hiperativo, como lhe chamou Maria de Belém, durante a campanha eleitoral para as presidenciais.

Puxando cordéis à esquerda e à direita desde Belém, o PR teve um papel central no último ano após umas eleições que deixaram o país crispado. Em declarações ao “Público” esta quinta-feira, o chefe de Estado fala de tensões ao nível social (que já se dissiparam) e ao nível político (que ainda continuam presentes).

“Há dois planos, a sociedade e os políticos. Na sociedade, a tensão era muito grande, tinha havido eleições há pouco tempo, os eleitorados estavam divididos, quem apoiava um lado estava contra o outro, era uma divisão na sociedade, essa está ultrapassada e isso é irreversível. As pessoas estão com confiança, com boa disposição, com espírito positivo”, começa por explicar.

Na parte política, Marcelo está menos confiante: o país ainda vive um período que exige todas as suas energias e atenção, aponta. “Eu nunca tive estado de graça nesse sentido, porque uma parte do centro-direita ansiava pela dissolução, primeiro, e esperava a queda do Governo por razões financeiras ou económicas internas mas determinantes de intervenções externas, depois; e a esquerda olhava com reservas de peso um Presidente de direita. E ainda hoje há quem, de um lado e de outro, assim pense. O que em nada condiciona um Presidente que avançou como avançou como candidato e age em consciência com total independência”, diz.

Quanto à subida do tom do discurso político nas últimas semanas, o Presidente da República diz tratar-se de uma consequência da proximidade das eleições autárquicas – que hoje já não deverão ser uma mudança de ciclo político, defende. Esta radicalização, que terá começado à direita, terá o efeito oposto ao desejado para o PSD: une os partidos que apoiam o PS no Governo, explica.