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FMI e BCE blindam Carlos Costa de possível demissão pelo Governo

D.R.

Ao silenciar a possibilidade de um afastamento político do governador do Banco de Portugal, o primeiro-ministro quis, na semana passada, evitar qualquer tipo de tensão com as instituições europeias e evitar acusações de ingerência política

Carlos Costa é intocável (pelo menos para já). O Governo de António Costa está de mãos atadas no que toca a uma possível demissão do governador de Banco de Portugal (BdP), que na última semana voltou a ser questionado sobre a sua intervenção na queda do Banco Espírito Santo, após a emissão de uma reportagem da SIC. O líder do BdP está protegido pelo estatuto de independência que o Banco Central Europeu (BCE) atribui àquele cargo e cuja verificação prática é fiscalizada regularmente pelo supervisor europeu e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), lembra o “Jornal de Negócios” esta segunda-feira.

Carlos César, líder parlamentar do PS, pediu, na quinta-feira passada, o afastamento do governador do Banco de Portugal, mas o primeiro-ministro não deu tempo para o rastilho político se incendiar. “O governador tem um estatuto próprio, de inamovibilidade. Está sujeito a fiscalização própria, do sistema de supervisão europeu", lembrou António Costa no dia seguinte.

Ao silenciar a possibilidade de um afastamento de Carlos Costa, o primeiro-ministro quis evitar qualquer tipo de tensão com as instituições europeias e evitar acusações de ingerência política. O Governo de António Costa, após ter tomado posse em 2015, criticou por várias vezes o liderança do Banco de Portugal, o que terá gerado alertas da instituição liderada por Mario Draghi, lembra o “Negócios”.

Neste momento, o Governo e o Banco de Portugal vivem um período de tensão. Nas últimas semanas, o executivo de António Costa já terá chumbado pelo menos meia dúzia de nomes propostos pelo governador para o conselho de administração do supervisor.