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Porto está nas mãos de radicais de esquerda, diz candidato do PSD

Álvaro Santos Almeida, candidato independente apoiado pelos sociais-democratas, acusa Rui Moreira de gerir a autarquia com base na imagem e de só ter executado um quarto das promessas eleitorais

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A um mês da apresentação formal da candidatura à Câmara do Porto, Álvaro Santos Almeida não poupa nas críticas a Rui Moreira, autarca que diz tem controlado a cidade com o apoio de “um PS de ex-comunistas e de radicais de esquerda”.

Em entrevista ao “Jornal de Notícias” desta segunda-feira, o professor de Economia da Universidade do Porto faz um balanço “claramente negativo” do atual executivo autárquico, sustentando mesmo que a vida dos portuenses tem vindo a “degradar-se” em áreas como a segurança e o trânsito.

O ex-presidente da Administração Regional de Saúde parte ao ataque para as próximas as eleições de outubro, confiante de que muitos dos que votaram no indepentente Rui Moreira não se reveem num presidente que “das 22 promessas que fez na campanha, cumpriu uma na cultura: o teatro Municipal Rivoli”. Das restantes, contabiliza oito não cumpridas integralmente e 13 em que nada fez.

Em comparação com a era Rui Rio, o candidato do PSD frisa que houve uma reversão completa do progresso da Invicta, para quem o ex-presidente da Câmara foi o obreiro das infraestruturas e condições para que, hoje, o Porto seja um grande destino europeu.

“Há algo que este executivo faz bem: a propaganda. Mas as campanhas de marketing não mudam a realidade”, diz. Álvaro Santos Almeida considera que o turismo é um elemento-chave para a região, mas alerta que não pode ser a única base de crescimento do Porto, que deve ser diversificado economicamente.

Em tese, o candidato do PSD concorda com a aplicação de uma taxa turística, medida que Rui Moreira irá discutir na campanha eleitoral para aplicar no próximo mandato, mas só a admite se for capaz de gerar receitas de vulto, não perturbar a atratividade do Porto e que o retorno seja devolvido aos cidadãos, como por exemplo a redução da carga fiscal na mesma proporção.

Questionado se tem o apoio de Rui Rio, o independente responde de forma evasiva, referindo que tem falado com muitas pessoas importantes do partido e todas lhe têm manifestado apoio, sem, contudo, avançar nomes.

O antigo quadro do FMI admite que se ganhar sem maioria absoluta terá de “arranjar uma solução governativa”, mas não fala em coligação pós-eleitoral, incluindo com Rui Moreira, se “ele continuar como vereador”. Se Moreira ganhar sem maioria, afirma que dificilmente o apoiará e que ficará como vereador.

Confessa que não é mais nem menos independente do que Rui Moreira, critica a construção da nova linha rosa do Metro, entre a Casa da Música e São Bento, “que nada acrescenta”, alerta que os parcómetros nas zonas residenciais são um vergonha e discorda da fórmula de municipalização da STCP por manter o Estado como um dos administradores. “O controleiro de Lisboa”, segundo Santos Almeida. Ideia que tem ainda em relação ao novo modelo da eleição do líder da CCDR, escolha que advoga deveria ser exclusiva da região.

A menorização do aeroporto Francisco Sá carneiro pela TAP é aparentemente o único ponto de sintonia entre os adversários independentes na corrida à Câmara do Porto.