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“Antagonismo” à esquerda tem tornado “muito difícil” gestão do inquérito à Caixa

Alberto Frias

José Matos Correia, presidente da comissão parlamentar de inquérito à CGD, confessa ter uma “elevada preocupação com a perceção pública do trabalho da comissão”, por um lado, “mas também dos seus resultados”, tendo em conta todos os entraves sentidos pela mesma

Há comissões de inquérito mais iguais do que outras. José Matos Correia, vice-presidente do PSD e presidente da comissão parlamentar de inquérito (CPI) à recapitalização da CGD e à gestão do banco, queixa-se, em entrevista ao “Público” e à Rádio Renascença, esta quinta-feira, de um “antagonismo” dos partidos à esquerda que tem tornado muito difícil o desenrolar do inquérito à Caixa, por comparação com o que aconteceu com o BES ou o BPN.

“Tem sido muito visível uma significativa oposição ou antagonismo entre os grupos parlamentares que requereram a comissão, visto que ela foi criada por imposição do PSD e do CSD, e que essa oposição ou antagonismo tem tornado muito difícil, até para mim enquanto presidente, a gestão da CPI. Estamos num momento também delicado por força da atitude das entidades a quem requeremos documentação. Julgo que conseguimos fazer uma coisa importante que foi obter ganho de causa no Tribunal da Relação de Lisboa por duas vezes”, aponta José Matos Correia.

Com o acesso à documentação requerida ficou claro que o “interesse público no conhecimento da verdade se sobrepõe ao segredo bancário e a segredo de supervisão”. “Está aberto o caminho para se poder prestigiar o Parlamento e para se poder ter acesso a documentação que é importante para a realização do nosso objecto e para se ficar a saber a verdade do que se passou na CGD, porque é que se chegou a um nível de imparidades tão elevado”, explica.

José Matos Correia confessa ainda ter uma “elevada preocupação com a percepção pública do trabalho da CPI, por um lado, mas também dos seus resultados”, tendo em conta todos os entraves que foram sendo apresentados pelos partidos que apoiam o Governo.

O vice-presidente do PSD sublinhou que não lhe “passaria pela cabeça” que o que quer que fosse que o Parlamento fizesse nesta matéria “fosse para prejudicar” a Caixa. “O que não podemos é negar aos deputados, e através deles aos portugueses, o direito que têm de saber porque é que o banco público chegou a apresentar os resultados que apresentou e que são preocupantes porque significam que são os portugueses que vão ter de pagar essas imparidades, esses resultados negativos que foram atingidos”, disse.