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Álvaro Santos Pereira: “Espero que a banca não volte a custar mais dinheiro aos portugueses, mas não ficaria admirado se sim”

Nuno André Ferreira/Lusa

Ex-ministro da Economia do Governo de Pedro Passos Coelho não desconfia que o défice de 2016 fique “claramente abaixo de 2,3% do PIB”, mas lembra que esse valor só foi possível de atingir com base em medidas de impacto temporário, como o perdão fiscal ou a descida dos juros

O ideal era que a banca não voltasse a custar mais dinheiro aos contribuintes portugueses, mas Álvaro Santos Pereira, ex-ministro da Economia do Governo de Pedro Passos Coelho, confessa, em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta quinta-feira, que se tal acontecesse “não ficaria admirado”.

Muito irá depender do que vai acontecer em Itália e a solução para o crédito malparado que for encontrada, aponta o atual director de Estudos dos Países Europeus do Departamento de Economia da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). “O que acontecer em Itália, onde o peso do crédito malparado é ainda muito maior, vai ter ramificações expressivas para Portugal”, explica. Não sendo possível prever o futuro, mesmo assim Álvaro Santos Pereira não considera provável que Portugal e Itália peçam um resgate europeu para financiar a limpeza dos seus bancos.

O ex-ministro diz ainda não desconfiar que o défice de 2016 fique “claramente abaixo de 2,3% do PIB”, mas lembra que tal só foi possível com base em medidas de impacto temporário, como o perdão fiscal ou a descida dos juros. Caso a fatura da banca entrasse nas contas do défice, Santos Pereira aponta que o valor deveria ficar nos 4,1%, devido ao custo da resolução do Banif.

“Nós [OCDE] prevíamos um défice de 2,5% do PIB e hoje estamos a falar de valores evidentemente mais baixos. E é bom que isso tenha acontecido, porque é bom para a credibilidade de Portugal. É de assinalar o esforço notável que foi feito ao longo dos últimos anos, e que permitiu baixar o défice de 11,2% em 2010 para valores próximos de 2%”, diz.

Mas se apresentar o défice “mais baixo da democracia portuguesa" é bom para a credibilidade de Portugal junto de Bruxelas, há medidas que dificilmente serão repetíveis e a prioridade para o futuro deve ser “pôr a dívida a cair”. “Ao contrário do défice, a dívida terá voltado a subir no ano passado. Mais do que falar do défice, é importante prestar atenção à dimensão da dívida e à sua evolução. É muito importante que a dívida, pública e privada, baixe”, frisa.