Siga-nos

Perfil

Expresso

Revista de imprensa

Credores e trabalhadores salvam Soares da Costa da falência

A Soares da Costa conta com 97 anos de atividade, “já teve sete mil funcionários e já foi a maior construtora”, diz presidente do Sindicato da Construção de Portugal, Albano Ribeiro

Nuno Fox

Desde agosto do ano passado, a empresa Soares da Costa tem estado a enfrentar um processo de insolvência. O principal credor da construtora, a Caixa Geral de Depósitos, cujo voto valia 30% do total, votou contra o plano de recuperação apresentado

A empresa de construção civil Soares da Costa foi salva por muito pouco. O plano de recuperação apresentado pela administração mereceu o voto favorável de 51,08% dos votos dos credores, conta o “Público” esta terça-feira. Ao todo, votaram 98% dos créditos reclamados; o principal credor, a Caixa Geral de Depósitos, cuja posição valia 30% do total, votou contra.

Desde agosto do ano passado, a empresa Soares da Costa tem estado a enfrentar um processo de insolvência. Esta votação ainda não é definitiva e precisará de ser homologada pelo juiz que tem em mãos o processo de insolvência – no prazo de dez dias –, mas já permitiu um primeiro respirar de alívio e enviar um sinal positivo aos trabalhadores.

“Foi sobretudo a mobilização de fornecedores e trabalhadores que permitiu que este processo de viabilização possa ir para a frente”, explica Pedro Pidwell, nomeado administrador de insolvência neste processo, ao “Público”.

Segundo o matutino, estão em causa cerca de 1200 trabalhadores que, com base no plano votado favoravelmente, conseguirão recuperar quase integralmente o seu passivo. A administração da Soares da Costa já assegurou uma linha de financiamento de 45 milhões de euros, negociada a três anos, para suportar necessidades de tesouraria e os custos da reestruturação da construtora,

O maior esforço no perdão de dívida era pedido ao sector bancário. Com créditos reclamados a chegar aos 696,7 milhões de euros, foi proposto um perdão de 75% das dívidas em euros à banca, e de 35% das dívidas contraídas na moeda angolana, sendo que o remanescente deveria ser pago em 18 anos.