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José Soeiro: “Governo não deve ficar dependente da direita para aprovar medidas contra propostas e princípios que acordou à esquerda”

Marcos Borga

No relatório sobre a precariedade no Estado não constam milhares de trabalhadores que preenchem necessidades permanentes mas que trabalham por via de empresas de trabalho temporário ou prestadoras de serviços. Deputado do Bloco de Esquerda José Soeiro diz que o Governo devia contabilizar estes trabalhadores

O relatório divulgado na última semana sobre a precariedade no Estado não convence o Bloco de Esquerda. O número de 116 mil pessoas a trabalharem para o Estado sem vínculo de trabalho efetivo não é real, aponta José Soeiro, deputado do Bloco de Esquerda, em entrevista ao “Diário de Notícias” esta segunda-feira.

Para o bloquista, há um problema no diagnóstico feito: “Não constarem os milhares de trabalhadores que preenchem necessidades permanentes do Estado que trabalham por via de empresas de trabalho temporário ou prestadoras de serviços. Isso significa que estes milhares de trabalhadores, que são intermediados por outras empresas, não foram considerados porque o seu vínculo não é com o Estado. Mas não podem ficar fora do diagnóstico. Seria uma falha grave que ficassem fora do processo de integração”, explica.

Negociar a integração destes trabalhadores no Estado vai ser uma das prioridades do BE nos próximos tempos. O partido vai exigir que estes trabalhadores, que usufruem de contratos temporários e outsourcing, sejam contabilizados no relatório. “Queremos que ninguém seja deixado de fora neste processo. Todas as pessoas que trabalham para o Estado, que desempenham funções essenciais ao funcionamento dos serviços, devem ser incluídas”, advoga.

Segundo o deputado, o ideal seria “proibir o recurso à intermediação laboral para preencher funções que são permanentes” e é por esse caminho que o BE vai insistir, garante Soeiro.

Se há uma lição a retirar do processo da TSU, lembra o deputado do Bloco, “é que esta maioria fez-se para a recuperação de rendimentos e, portanto, deve ser sempre fiel a soluções que sejam coerentes com esse princípio.”

Ou seja: é à esquerda que o Governo deve negociar. “O Governo não deve ficar dependente da direita para aprovar medidas contra as propostas e os princípios que acordou com a esquerda”, avisa.

“Quando existe o compromisso e o esforço de negociação à esquerda conseguem-se soluções melhores para o país. Portanto, sim, há divergências muito importantes com o PS, sobre o trabalho temporário, sobre a contratação coletiva... Pela nossa parte, não pretendemos desistir de nenhuma proposta. E, já vimos no passado que, partindo de posições muito diferentes, é possível chegar a soluções”, diz o deputado do BE.