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Líder da UGT espera para ver “se há condições” para novo aumento do salário mínimo

MIGUEL A. LOPES/ Lusa

Para Carlos Silva, é importante que situações como o veto à descida da TSU não se voltem a repetir. Se o acordo com os partidos à esquerda voltar a falhar “noutros momentos e circunstâncias importantes para a governabilidade do país nos próximos meses, naturalmente, caberá ao PS e ao Governo retirar as devidas consequências”, aponta

António Costa comprometeu-se com os partidos que apoiam a solução governamental minoritária que em 2018 o salário mínimo nacional iria subir para os 580 euros e no ano seguinte chegar aos 600. Mas Carlos Silva, líder da UGT, não está totalmente certo de que haja condições para essa medida avançar, conforme confessa em entrevista ao “Público” e à Rádio Renascença esta quinta-feira.

Para o líder da UGT, é preciso esperar para ver o rumo da economia portuguesa. “Vamos aguardar até ao final do ano para ver que condições é que há para avançar com o acordo que o PS sufragou com o Bloco de Esquerda para passar para os 580 euros. Vamos aguardar. Não sabemos. Mas isso é naturalmente uma decisão política que terá de responder à realidade da economia”, diz.

Segundo o sindicalista, não é um dado certo que a legislatura de António Costa consiga chegar ao fim do mandato e as eleições autárquicas, por exemplo, são um perigo, diz. “O primeiro-ministro tem dado provas de grande resistência e grande resiliência, sobretudo porque é um habilidoso político, quando digo habilidoso, digo no sentido da política no seu termo mais profundo. Mas também resta saber, perante um quadro de eleições autárquicas que se aproxima e perante as sondagens a que todos estão sujeitos… Às vezes elevar muito as sondagens para o PS pode ser pouco benéfico para os partidos mais à esquerda, que poderão sofrer alguma erosão. Isso nos próximos meses vai ter de ser muito bem acompanhado”, aponta.

Muito do sucesso desta solução governativa vai depender da forma “como o PCP e o BE se posicionarem em relação a algumas matérias que vão ter de ser abordadas no Parlamento, nomeadamente as PPP [da Saúde] e outras questões”, acrescenta.

Segundo o líder da UGT, é também importante que situações como o veto à descida da TSU não voltem a repetir-se. Se o acordo com os partidos à esquerda voltar a falhar “noutros momentos e circunstâncias importantes para a governabilidade do país nos próximos meses, naturalmente, caberá ao PS e ao Governo retirar as devidas consequências.”

Ainda na mesma entrevista, Carlos Silva deixa críticas ao PSD pela sua posição no acordo da TSU: “O PSD jogou politicamente em relação à concertação social.” Os jogos políticos em relação aos parceiros “não foram bem entendidos” pela UGT, avisa.