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Paulo Macedo entra na Caixa sem margem para imprevistos

tiago miranda

Caixa não terá uma segunda oportunidade para se capitalizar sem ficar sujeito às regras das ajudas de Estado, o que deixa Paulo Macedo com pouca margem para rever as imparidades apuradas pela anterior administração

Paulo Macedo, o novo Presidente da Caixa Geral de Depósitos, que veio suceder a António Domingues, assume funções esta quarta-feira. O banco do Estado chega às mãos do ex-ministro da Saúde já com o processo de recapitalização que foi elaborado pelo seu antecessor em movimento, o que lhe deixa uma margem de manobra reduzida para rever as imparidades apuradas pela anterior administração e que prometem colocar a Caixa com prejuízos recorde, lembra o “Jornal de Negócios” esta quarta-feira.

Qualquer imprevisto nas contas da Caixa poderá deixar a liderança de Paulo Macedo em apuros: o banco não terá uma segunda oportunidade para se capitalizar sem ficar sujeito às regras das ajudas de Estado.

As imparidades previstas para 2016 - num valor superior a 3.000 milhões de euros antes de impostos - são consideradas essenciais para registar todas as perdas por reconhecer na Caixa e justificam a necessidade de uma injecção de 2.700 milhões de euros na instituição.

Segundo o “Negócios”, se a nova equipa de gestão optar por uma redução do montante de imparidades, pode diminuir o valor dos prejuízos do ano passado e até reduzir o valor da injecção de capital a realizar pelo Estado.

Porém, esta opção corre o risco deixar Macedo encurralado, uma vez que poderá implicar a necessidade de reconhecer perdas num momento posterior e ditar novas necessidades de capital - o que levaria a Caixa a uma nova capitalização, agora segundo as regras de ajuda de Estado, o que pressupõe a aplicação de uma medida de resolução.