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Dores de cabeça no défice à vista? Governo só estima 200 milhões de medidas extraordinárias

MÁRIO CRUZ/LUSA

Pedro Passos Coelho, ainda na semana passada, disse no Parlamento que os valores em medidas extraordinárias deveriam chegar quase aos dois mil milhões de euros. Governo faz contas por baixo e aponta para 200 milhões

O primeiro mês de 2017 ainda agora está a terminar, mas já pode haver problemas a sinalizar nas contas do défice previsto que o Governo enviou para Bruxelas. De acordo com o “Jornal de Negócios” esta terça-feira, o ministério liderado por Mário Centeno tem à sua frente decisões para tomar que podem vir a influenciar, e muito, o défice deste ano. Por exemplo, decidir que receitas devem ou não ser consideradas extraordinárias.

Segundo as contas do matutino, tendo em conta as posições conhecidas do Governo, as Finanças portuguesas esperam que as receitas extraordinárias cheguem no máximo aos 200 milhões de euros, bem menos que os mil milhões admitidos no pior cenário.

Se os técnicos de Bruxelas aceitarem esta avaliação, isto seriam boas notícias para Portugal: resultaria numa melhor avaliação do esforço orçamental estrutural do País em 2016, outra das variáveis avaliadas pela Comissão Europeia, a par com o défice orçamental.

Mas há céticos quanto às contas do Governo. Pedro Passos Coelho, ainda na semana passada, disse no Parlamento que os valores em medidas extraordinárias deveriam chegar quase aos dois mil milhões de euros.

De acordo com vários especialistas contactados pelo “Negócios”, no pior cenário, a Comissão Europeia poderá identificar até mil milhões de euros de medidas extraordinárias: 513 milhões do Programa Especial de Redução do Endividamento ao Estado (PERES), 104 milhões do programa de reavaliação de ativos, 98 milhões do encaixe com venda de F-16 à Roménia e 264 milhões de juros pagos em excesso de um empréstimo europeu.