Siga-nos

Perfil

Expresso

Revista de imprensa

João Salgueiro: “Nacionalizar era o mais lógico, o problema é que a experiência que temos com bancos nacionalizados não tem sido boa”

Luiz Carvalho

Para o economista e antigo ministro das Finanças, “se for possível arranjar uma proposta razoável que seja imediata”, o Novo Banco devia ser “despachado”

Nacionalizar o Novo Banco? “Era o mais lógico, o problema é que a experiência que temos com bancos nacionalizados não tem sido boa e não sei se desta vez teríamos capacidade para fazer uma boa gestão”, aponta João Salgueiro, economista e antigo presidente da Associação Portuguesa de Bancos, em entrevista ao “Público” esta segunda-feira.

Se o sistema bancário português estivesse em melhores condições, o caminho a tomar era simples. Mas dada a conjuntura dos últimos anos, com o Estado a arcar com muitos custos de falências, adaptando um ditado popular pode concluir-se que economista escaldado de nacionalizações tem medo.

“Um banco nacionalizado, como não existe para fazer negócios, é mais permissivo, por natureza, na concessão do crédito. Tudo o que fosse ganhar tempo era bom, mas é uma questão de grau. Se nos disserem que temos de pagar duas vezes o valor do banco para alguém o comprar, isso não me parece lógico”, explica João Salgueiro. Para o antigo ministro das Finanças, se for possível arranjar uma proposta razoável que seja imediata”, o Novo Banco devia ser “despachado”.

A economia portuguesa tem condições para “crescer”

Na mesma entrevista ao “Público”, João Salgueiro diz acreditar ser possível colocar Portugal num caminho de crescimento económico. Casos de sucesso como no turismo e na agricultura são provas disso: são sectores competitivos. “Ultimamente, houve um grande avanço na agricultura. Está a criar-se valor, estamos a entrar em segmentos novos, na fruta, na exportação de legumes”, constata.

Se o crescimento for alcançado, o fardo da dívida pública não será um problema. “A dívida não é um problema. Se tivéssemos crescimento, nem era preciso ser igual ao espanhol, [bastava] 80% do espanhol, isso não era um problema”, explica.

Mas também é preciso estar em alerta, tendo em conta as taxas de juro da última emissão da dívida. “Estamos numa época muito complicada, porque estamos a ser optimistas. Emitir dívida a 4,2% numa altura que todos emitiram com taxas de juro mais baixas, e nós subimos, já é muito complicado. Significa que os mercados não estão a confiar, logo há menos gente a querer investir em Portugal. Em próximos leilões já vai ser mais difícil, não quer dizer que não consigamos baixar alguma coisa, mas vai ser mais difícil, é uma espiral de desconfiança. É claro que a nossa economia neste momento não está a degradar-se, mas não estamos a aproveitar a dimensão que tínhamos de dar um salto. O que se deu no turismo ou nalgumas culturas agrícolas poderia dar-se em geral na nossa economia”, diz.