Siga-nos

Perfil

Expresso

Revista de imprensa

Paulo Macedo pediu dispensa ao BCE de cessar vínculo com o BCP, mas supervisor não autorizou

alberto frias

Paulo Macedo, que mantém um vínculo com o BCP há 23 anos, pediu dispensa ao Banco Central Europeu de cessar relações com a instituição. Porém, o supervisor negou essa possibilidade e obrigou o banqueiro a rescindir o contrato com a instituição financeira

Há alguns meses, António Domingues,ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos, foi o centro de várias polémicas devido a ter exigido, como condição para assumir o cargo no banco, não ter de entregar a sua declaração de rendimentos. O resultado é conhecido: Domingues acabou por se demitir, quando o Governo e o Presidente da República fizeram pressão - pública - no sentido contrário.

Paulo Macedo, ex-ministro da Saúde do governo de Passos Coelho, que vai assumir funções no banco do Estado a 1 de fevereiro, também pediu dispensa de uma das exigências ao BCE, avança o “Jornal de Negócios” esta sexta-feira. Macedo, que mantém um vínculo com o BCP há 23 anos, pediu dispensa ao Banco Central Europeu de cessar relações com a instituição. Porém, o supervisor negou essa possibilidade e obrigou o banqueiro a rescindir o contrato com a instituição financeira, para evitar eventuais conflitos de interesse.

Esta imposição do BCE foi feita no quadro do processo de autorização da nomeação de Paulo Macedo para a presidência executiva da CGD. Segundo o matutino, Macedo terá feito uma exposição ao BCE, argumentando que a sua situação concreta não se enquadra no regime habitual de quadros de instituições financeiras que assumem funções de gestão em bancos rivais. Terá dado ainda o exemplo de quando em junho de 2011 abandonou a vice-presidência do BCP para ser ministro da Saúde, ficando sem exercer nenhumas funções no banco.

O futuro presidente da Caixa não foi o único a pedir dispensa ao BCE de vínculos contratuais. Francisco Cary, administrador do Novo Banco (ex-BES) há mais de 20 anos, também teve de renunciar a este lugar. João Tudela Martins, que vem da anterior gestão da Caixa, também abdicou do contrato que tinha com o BPI.