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Sampaio da Nóvoa: “Um líder da oposição tem de ser tratado com a mesma dignidade de um primeiro-ministro”

Para o ex-candidato presidencial, no último ano houve momentos em que “não se sentiu” uma “equidistância” do Presidente para com os partidos políticos. E Passos Coelho saiu prejudicado, aponta

Durante a campanha para as eleições presidenciais, Sampaio da Nóvoa pensava que quando Marcelo Rebelo de Sousa chegasse ao poder havia o “risco” de este se aproximar mais do PSD e CDS, negligenciando o Governo minoritário liderado por António Costa. Mas às vezes os exercícios de futurologia saem errados. “Hoje acho que se acontece nalgum momento é no sentido contrário”, reconhece.

Em entrevista ao “Público” esta terça-feira, Nóvoa confessa-se surpreendido com o primeiro ano de Marcelo… e empático com Pedro Passos Coelho. “Um líder da oposição tem de ser tratado com a mesma dignidade de um primeiro-ministro”, diz.

Para o ex-candidato presidencial, no último ano, houve momentos em que “não se sentiu” uma “equidistância” do Presidente para com os partidos políticos. E Passos Coelho saiu prejudicado, aponta.

“A equidistância é o que verdadeiramente dá poder à função presidencial. O Presidente não tem que se misturar com os assuntos do Governo, nem da oposição. Espero que o mandato no futuro se desenvolva de uma forma mais distanciada e equidistante do que se desenvolveu neste primeiro ano. Até porque verdadeiramente o Governo não precisou de ter o Presidente a apoiá-lo. O Presidente deveria ter-se mantido mais equidistante nas suas posições”, explica.

Quanto ao estilo que Marcelo Rebelo de Sousa impôs à presidência em 2016, Sampaio da Nóvoa só deixa elogios. “A decisão de Marcelo Rebelo de Sousa, que acho que é totalmente genuína, da proximidade com as pessoas, do estar na rua e falar com as pessoas, tudo isso instaurou um clima de estabilidade política e de confiança que, a meu ver, é extraordinariamente positivo. Isso ajudou muito a revitalizar a função presidencial, que estava numa situação difícil – com muita gente a questionar o semipresidencialismo. Em muito pouco tempo, Marcelo Rebelo de Sousa conseguiu recuperar essa vertente presidencial do sistema”, diz.